Pouco mais de dois meses depois das eleições presidenciais terem sido vencidas pelo ecologista Alexander Van der Bellen por pouco mais de 30 mil votos, o Tribunal Constitucional da Áustria decidiu anular o resultado de 22 de maio e ordenou novas eleições presidenciais. A ida às urnas deverá ser em setembro ou outubro.

“O recurso colocado pelo líder do Partido da Liberdade Austríaco [FPÖ, de direita populista e anti-imigração], Heinz-Christian Strache, contra as eleições de 22 de maio (…) foi aprovado”, disse esta sexta-feira o presidente do Tribunal Constitucional austríaco, Gerhard Holzinger. Segundo a Deutsche Welle, Holzinger disse que esta decisão “serve apenas para fortalecer a confiança nas nossas leis e na nossa democracia”.

O argumento do FPÖ, que acabou por ter peso, foi o de que houve ilegalidades — nomeadamente com gente a poder votar antes da data permitida, segundo as leis eleitorais — na maneira como foram administrados os votos por correspondência em 94 das 117 zonas de voto de todo o país. Além disso, o FPÖ referiu que alguns menores de 16 anos e estrangeiros tinham conseguido votar.

A decisão do Tribunal Constitucional surge depois de o FPÖ ter interposto um recurso à segunda volta das eleições, a 22 de maio, depois ter vencido a primeira volta, a 24 de abril. Nessa altura, o candidato do FPÖ, o controverso Norbert Höfer, surpreendeu ao ficar com 35%, bem à frente de Alexander Van der Bellen, com 21%.

O resultado final só ficou determinado no dia seguinte às eleições, quando foram contados os cerca de 700 mil votos por correspondência, no dia 23 de maio, segunda-feira. Na noite de domingo, 22 de maio, Norbert Höfer estava à frente na contagem dos votos.