A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, considerou esta sexta-feira “indispensável o fortalecimento” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma “plataforma fundamental” no atual mundo globalizado.

“Tenho como indispensável o fortalecimento da CPLP”, disse a secretária de Estado, em declarações à agência Lusa, alertando que “o mundo hoje é diferente” e os países têm de encontrar o seu lugar no mundo globalizado.

A governante falava depois de participar na conferência “CPLP: Um Mundo de Oportunidades de Negócio”, inserida no III Fórum dos Exportadores da CPLP, que está a decorrer em Beja, até sábado.

Na sessão, também intervieram outros oradores, nomeadamente o antigo ministro socialista Luís Amado, atualmente presidente da Assembleia-Geral da Confederação Empresarial da CPLP, e o ex-líder do PSD Luís Marques Mendes.

Teresa Ribeiro destacou a importância da CPLP para conferir dimensão e peso aos países que a compõem perante os desafios da atualidade e defendeu que esta comunidade “não pode ser apenas uma comunidade de Estados, tem de ser também de povos”.

No ano em que a CPLP comemora 20 anos de existência, a governante lembrou que a estrutura “ainda é jovem”, faltando avançarem vários projetos, mas é já “uma plataforma fundamental”.

“Até por força da indispensabilidade que todos estes países [da CPLP], que todos os países em geral, têm de encontrar uma forma de inserção no mundo global. Este tipo de plataformas é indispensável”, disse à Lusa.

Os vários países que compõem a CPLP têm diferenças, mas, sem as escamotear, afiançou, “é nas diferenças” que têm “que encontrar aquilo” em que se “podem unir, em nome do interesse comum”.

Na conferência, no âmbito do fórum organizado pela União de Exportadores da CPLP (UE-CPLP) e pela Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), Luís Amado e Luís Marques Mendes alertaram para os tempos de incerteza económica que se vivem pelo mundo, atualmente e nos próximos anos.

“Os investidores vão ter de se habituar a investir com incerteza e risco”, avisou Marques Mendes, perante a plateia de empresários e representantes dos países da CPLP, ainda que acrescentando que os investidores devem aproveitar estes tempos para realizarem “bons negócios”.

Daí que, e porque “o mundo mudou”, disse Luís Amado, o pilar económico da CPLP assuma importância e deva “ser valorizado”.

O presidente da CE-CPLP, Salimo Abdula, defendeu à Lusa que o potencial económico dos países da comunidade “é enorme” e que o necessário “é facilitar, de facto, todo este processo burocrático e o alinhamento das ideias dos Estados para a sobrevivência da projeção futura”.

“Dentro de duas décadas, podemos ser uma comunidade que representa 25 ou 27% do setor do petróleo e gás. Nós, sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos vamos muito mais longe”, afiançou.