O dissidente político cubano Guillermo Fariñas foi hospitalizado esta quinta-feira, depois de oito dias em greve de fome. O protesto veio na sequência de uma denúncia feita por ele e por outros ativistas, por terem sido presos e espancados ao perguntarem por um outro militante dos direitos humanos, explica o El País.

O ativista fazia a sua 24.ª greve de fome, a favor da libertação de presos políticos. Guillermo Fariñas é um dos mais conhecidos ativistas cubanos, e luta por uma mudança política e pela liberdade de expressão em Cuba.

O protesto começou a 19 de julho, dia em que o ativista publicou uma carta aberta ao presidente cubano, Raúl Castro. Na carta, denunciava os maus-tratos de que foi alvo: “Torturaram-me, enquanto estava indefeso, e marcaram-me como mercenário”. Fariñas exigia que as autoridades parassem de reprimir a “oposição política não violenta”.

Desde o início da greve de fome, o opositor ao regime já perdeu 12 quilogramas, estando agora internado nos cuidados intensivos de um hospital da cidade Santa Clara, onde vive.

Dados da Comissão Cubana dos Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, referidos pelo jornal espanhol, referem que só em 2015 houve 8.600 pessoas que presas por motivos políticos — alguns apenas por umas horas. No país, 93 pessoas estão a cumprir pena por motivos ideológicos, avança a comissão. Raúl Castro disse em março, por ocasião da visita de Barack Obama ao país, que não existem presos políticos em Cuba. “Deem-me a lista para os soltar”, disse na altura.

Guillermo Fariñas esteve em Portugal em dezembro do ano passado, para encontros com várias organizações não-governamentais, professores universitários de direitos humanos e de relações internacionais e eurodeputados.