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Antes das últimas eleições, em junho, Rajoy disse-o aos jornalistas que acompanharam o comício do Partido Popular (PP) em Lérida: terceiras eleições legislativas em Espanha seriam um “ridículo mundial”. Realizado o escrutínio, confirmou-se o que já se esperava. O PP venceu novamente, mas não tem condições para governar sozinho. Agora, o relógio já está em contagem decrescente e o “ridículo” pode não se evitar. Os espanhóis correm o risco de voltar às urnas em dezembro — e isso pode acontecer mesmo no dia de Natal.

Na semana passada, o rei Felipe VI encarregou Mariano Rajoy de tentar formar governo. O que o líder popular tem de fazer é convencer o Partido Socialista e o Ciudadanos a juntarem-se ao PP ou, pelo menos, a absterem-se na sessão de investidura. As negociações não serão fáceis, mas pelo menos num ponto todos os líderes políticos estão de acordo: a tentativa investidura tem de se realizar na quarta semana de agosto, entre os dias 23 e 25. Caso isso não se verifique e a investidura fique adiada para as semanas de 31 de agosto ou 7 de setembro, umas hipotéticas novas eleições vão calhar ou no dia de Natal (25 de dezembro) ou no dia de Ano Novo (1 de janeiro).

De acordo com a Constituição espanhola, depois da primeira sessão de investidura começa a contar um período de dois meses para que haja efetivamente um governo. Ou seja, se nesse espaço temporal não for encontrada uma solução governativa, o Congresso dos Deputados e o Senado são automaticamente dissolvidos e é obrigatória a celebração de eleições 54 dias depois. Por isso, contas feitas, a semana de 24 de agosto é a única que permite que um novo escrutínio se realize antes do Natal, neste caso a 18 de dezembro.

Mas há ainda outras datas a influenciar o intrincado calendário político espanhol. Entre 30 de setembro e 15 de outubro tem de ser aprovado e enviado para Bruxelas o Orçamento do Estado, de forma a cumprir as leis espanhola e comunitária. Com isso em mente, Mariano Rajoy vai pressionar os líderes do Partido Socialista e do Ciudadanos para fazer a sessão de investidura o mais depressa possível e para garantir pelo menos a abstenção desses dois partidos.

Rajoy e os outros partidos têm, assim, cerca de vinte dias para alcançar um acordo. Pedro Sánchez, líder socialista, reafirmou esta segunda-feira a sua oposição a um novo governo do Partido Popular. Se Mariano Rajoy quiser ser presidente do governo novamente, terá de contar com os votos de outros deputados — é esta a mensagem que Sánchez vai levar a uma reunião com Rajoy na próxima terça-feira. O líder popular, por seu turno, vai acenar a Sánchez com 125 medidas que, diz, estão presentes tanto no programa do Partido Popular como no acordo negociado entre os socialistas e o Ciudadanos em fevereiro. Essa tentativa de governo acabou por fracassar.

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