O preço de um novo impasse político em Espanha será alto, em termos económicos e de reputação internacional. Segundo o jornal El Mundo, o governo em funções, liderado por Mariano Rajoy, considera “inevitável” a aplicação de penalizações até 6.100 milhões de euros, se os lideres dos partidos mais votados não conseguirem chegar a acordo para apresentar uma proposta de Orçamento do Estado até 15 de outubro.

Por agora foi possível travar a multa (a Espanha e a Portugal), mas “em outubro será imparável” afirmam fontes governamentais citadas pelo jornal espanhol. A Comissão Europeia decidiu aplicar uma sanção zero aos países ibéricos na semana passada, mas esta decisão exige aos governos português e espanhol que apresentem medidas adicionais de consolidação orçamental, sobretudo a partir de 2017.

O governo do PP, que está em funções de gestão desde as eleições legislativas de dezembro, anunciou já a intenção de lançar um pacote de medidas que incluem uma antecipação da receita do imposto sobre as empresas para o próximo ano. Mas para que estas medidas sejam tomadas, Espanha tem de ter um governo em plena funções que esteja em condições de elaborar um Orçamento do Estado.

Um dos argumentos invocados é o de que o processo sancionador europeu vai ficando mais duro à medida que um Estado infrator reincide na falta de respostas ativas contra um défice excessivo, acima dos 3% do PIB, e que as multas passam a ser automáticas. Nesta situação, referem as fontes ouvidas pelo El Mundo, a multa pode chegar aos 0,5% do PIB espanhol, caso seja aplicada a sanção mais dura depois de uma primeira decisão mais benevolente. Segundo a leitura dos responsáveis do governo, este cenário que pode custar a Espanha cerca de 5.000 milhões de euros. A este valor junta-se o congelamento de fundos estruturais de 1.100 milhões de euros, penalização que será discutida no Parlamento Europeu depois das férias de verão.

Para o governo do PP, a bola está do lado dos líderes do PSOE e do Ciudadanos. Se Pedro Sánchez e Albert Rivera não viabilizarem a tomada de posse de Mariano Rajoy, Espanha não terá condições para convencer Bruxelas de que vai tomar as medidas necessárias para corrigir a trajetória do défice, o que no caso do país vizinho, exigirá um ajustamento de 15.000 milhões de euros.

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