É um problema que os países, especialmente os europeus, vêm como cada vez maior e de mais difícil de resolução: qual o futuro das pensões de reforma? Na Alemanha, o habitualmente conservador banco central analisou o tema e diz que a idade da reforma pode ter de aumentar para os 69 anos até 2060.

Num país tradicionalmente conservador no que às suas contas diz respeito e focado na sua sustentabilidade, mas também com um problema demográfico, como boa parte dos maiores países da União Europeia, a Alemanha está a olhar novamente para o seu sistema de pensões.

No seu boletim mensal, publicado esta segunda-feira, o Bundesbank diz que o sistema está sob pressão e, mesmo com as reformas recentes no sistema de previdência, os pensionistas podem ver o valor pensões a que teriam direito cair em 2050.

Quem não optar por cobrir essa falha com recurso investindo em planos de poupança reforma privados, apoiados pelo Estado alemão, pode até ver a sua pensão cair antes de 2050, diz o banco central alemão.

Aumentar as contribuições para o sistema de pensões, diz o banco central, até poderia ajudar a manter o valor das pensões a pagamento estável, mas nunca seria uma solução, alerta o Bundesbank, que considera que isso iria colocar demasiada pressão sobre as pessoas que têm de fazer essas contribuições, o que por sua vez teria consequências negativas no crescimento económico.

A solução proposta passa pelo aumento da idade da reforma para 69 anos até ao ano de 2060. Os planos do Governo alemão preveem um aumento da idade da reforma para 67 até 2030 e o aumento das contribuições, algo que para o Bundesbank está longe de ser suficiente, já que a diferença entre o número de pessoas que contribuem para o sistema e o número de pensionistas deverá aumentar mais que o previsto nas contas do Governo, e o aumento da esperança média de vida aponta para que esses reformados beneficiem de pensão ainda mais anos que o previsto.

Por essas razões, o Bundesbank quer que o Estado alemão desenhe um sistema que tenha em conta parâmetros mais flexíveis para calcular a idade da reforma e que torne mais claro como é que esses parâmetros (relativos à idade da reforma, níveis de provisão e taxas de contribuição para o sistema) podem ser ajustados no longo prazo.

Na Alemanha, a idade da reforma está ainda nos 65 anos e dois meses, mais baixa que em Portugal, onde é atualmente 66 anos e dois meses, e o governo alemão não vê, pelo menos para já, razão para acompanhar a sugestão do seu banco central. Segundo um porta-voz do governo alemão, os planos não mudaram e a meta para o aumento da idade da reforma continua nos 67 anos em 2030.

Em 2014, os alemães que tivessem uma carreira começada aos 20 anos e que se quisessem reformar sem qualquer perda na sua pensão poderiam fazê-lo aos 65 anos, mas a idade a que se reformaram foi de 62,7 anos (média) entre 2009 e 2014, abaixo do estimado para a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

homens OCDE

Idade de reforma entre 2009 e 2015 entre os homens nos países da OCDE. Idade normal (bola) de reforma representa a idade necessária para se reformar sem perdas na reforma para quem trabalha desde os 20 anos. Idade efetiva de reforma (barra) representa a média de idade a que os homens se reformaram neste período. Fonte: OCDE.

Mulheres

Idade de reforma entre 2009 e 2015 entre os mulheres nos países da OCDE. Idade normal (bola) de reforma representa a idade necessária para a reforma sem perdas na reforma para quem trabalha desde os 20 anos. Idade efetiva de reforma (barra) representa a média de idade a que as mulheres se reformaram neste período. Fonte: OCDE.