A ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff afirmou na quarta-feira que o processo por alegada corrupção e lavagem de dinheiro contra o seu antecessor, Lula da Silva, faz parte do golpe que diz ter sofrido e que a tirou do poder.

“Estamos num momento muito difícil porque está em andamento o processo sistemático de rutura constitucional. Primeiro atacaram a mim. Agora atacam ao Lula. E fazem isso de uma forma golpista”, disse Rousseff.

A ex-governante foi destituída pelo Congresso a 31 de agosto depois de ser submetida a um julgamento político em que foi considerada culpada de irregularidades fiscais, mas durante todo o processo alegou ser vítima de um golpe parlamentar já que, segundo garantiu, não cometeu crime algum.

A ex-chefe de Estado saiu em defesa do seu mentor político do Partido dos Trabalhadores (PT) num ato de campanha da deputada Jandira Feghali, candidata à câmara do Rio de Janeiro nas eleições municipais de 2 de outubro.

Rousseff e Feghali manifestaram o seu apoio a Lula um dia depois de o juiz que investiga os desvios de dinheiro na petrolífera Petrobras aceitar a denúncia do Ministério Público por corrupção e lavagem de dinheiro contra o ex-Presidente.

Lula da Silva foi constituído arguido, juntamente com a mulher e outras seis pessoas, pelo juiz federal Sérgio Moro, encarregue dos processos da Operação Lava Jato, que investiga o maior escândalo de corrupção na história do Brasil, centrado na petrolífera estatal.

Em causa na acusação de Lula da Silva estão suspeitas de irregularidades na aquisição de um imóvel e num contrato de armazenamento de bens, ambos envolvendo a empreiteira OAS, que tem estado implicada na Operação Lava Jato.