Os planos do CaixaBank para o BPI podem implicar a saída de mais 1000 funcionários do banco português, de acordo com o relatório do conselho de administração sobre a oferta pública de aquisição (OPA).

Esta estimativa parte do custos de reestruturação anunciados pelo banco catalão na apresentação feita em abril, e eram de 250 milhões de euros e das sinergias previstas nos custos ao nível do pessoal, de 45 milhões de euros. Perante estes números, a gestão do BPI conclui: “este cenário seria compatível com a saída e perto de 1000 colaboradores, tendo por base os custos com pessoal com pessoal médios e os custos médios com reformas antecipadas verificados em 2016.

Segundo informação dada pelo CaixaBank à gestão do BPI, a redução de despesas de pessoal realizada por via de reestruturações laborais seria realizada “com estrito cumprimento dos parâmetros sociais que têm vindo a ser observados pelo Oferente em procedimentos similares (incluindo a reorganização interna do Oferente em 2013), dando prioridade a reformas antecipadas e lay-offs incentivados”.

A redução de custos realizada pelo BPI envolveu o fecho de 273 balcões desde o final de 2008 e uma diminuição de 2252 trabalhadores, o que representou uma redução de 29% no número de efetivos. Em junho deste ano, o BPI tinha 5845 funcionários na atividade em Portugal.

O CaixaBank diz que pretende manter o BPI como uma entidade independente, mas defende que “a pertença a um grupo bancário de maior escala, “permite alcançar maiores níveis de eficiência, produtividade e rentabilidade no contexto do setor bancário doméstico mais competitivo e exigente.”

A falta de rentabilidade das operações a nível doméstico tem sido uma fragilidade apontada ao BPI cujos lucros têm sido alimentados pela participada angolana onde o banco português reduziu a sua participação, no quadro do acordo com Isabel dos Santos.

O relatório da gestão do BPI sublinha ainda que que o CaixaBank refere no projeto do prospeto da OPA refere que banco português poderá “também beneficiar da experiência e da força financeira do Oferente em avaliar
oportunidades futuras de crescimento orgânico e inorgânico em Portugal.” Não há contudo qualquer referência à compra do Novo Banco, a não ser a que é feita pelos representantes dos trabalhadores. O BPI foi uma das entidades a apresentar uma oferta no final de junho, mas saíram entretanto notícias a dar conta que a operação do Novo Banco não é uma prioridade para o CaixaBank.

O conselho de administração do BPI considerou esta quinta-feira a OPA do Caixa Bank oportuna a amigável.