Miquel Iceta voltou a ser eleito para liderar o Partido Socialista da Catalunha (PSC), depois de ter feito uma campanha onde deixou claro estaria disposto a romper a disciplina de voto caso o comité federal do PSOE (onde o PSC é filiado) queira que os seus deputados se abstenham numa hipotética votação para aprovação de um Governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP).

Se o PSOE se abstiver e o PP continuar a ter os votos favoráveis do Ciudadanos, Mariano Rajoy presidirá ao próximo Governo espanhol, pondo fim a um bloqueio político que dura desde dezembro de 2015. No entanto, depois de ter sido declarado o vencedor das primárias do PSC, Miquel Iceta foi claro em relação a esse cenário: “Não podemos ser muleta de um governo conservador”.

Miquel Iceta venceu por apenas 747 votos. Ao todo, teve 4 889 votos (54%) contra os 4 142 (46%) conquistados por Núria Parlón. Tanto Iceta como Parlón eram apoiantes de Pedro Sánchez, o ex-secretário-geral do PSOE que se demitiu a 2 de outubro perante a pressão de uma maioria no comité federal. Com Sánchez, caiu igualmente a sua proposta de serem feitas eleições primárias no PSOE.

“Hoje também enviámos uma mensagem muito clara aos companheiros do PSOE: ouvir os militantes é bom”, disse Iceta, aludindo à realização de primárias em todo o partido, e numa clara mensagem à direção interina do PSOE. “Hoje ensinámos que a nova política é aquela que sabe ouvir.”

Para já, a direção interina do PSOE, a gestora, ainda não decidiu qual será a posição do PSOE numa hipotética votação de um programa de Governo de Mariano Rajoy e do PP. O atual líder dos socialistas já disse que o “PSOE poderá consentir a investidura, mas não vai proporcionar estabilidade” a um Governo dos populares. “Vão ter de ganhá-la, terão de procurar estabilidade dia após dia.”

O próximo passo para os socialistas será dado a 23 de outubro, que é quando, segundo o El País, o Comité Federal do PSOE deverá tomar a decisão final em relação ao seu voto a Rajoy.

Esta semana, Rei Filipe VI anunciou que vai reunir-se com os partidos com representação parlamentar a 24 e 25 de outubro. Essas reuniões servirão para o monarca decidir qual é o líder partidário que está em melhor posição para formar governo e indigitá-lo. O debate de investidura será o próximo passo, com data prevista para 27 de outubro. Depois, a proposta de Governo será votada entre 28 e 30 de outubro.

31 de outubro é a data limite para que seja formado um Governo em Espanha. Se os parlamentares voltarem a não estar de acordo, o Rei é obrigado a dissolver o Congresso dos Deputados e o Senado e terá de convocar novas eleições — as terceiras no espaço de um ano.