O procurador responsável pela Operação Marquês, que investiga José Sócrates, pediu ao parlamento o processo confidencial sobre o suposto plano do governo para comprar a TVI. Em causa, adianta o Jornal Público, está o processo conduzido em 2009 pelo então procurador-geral Pinto Monteiro de análise às escutas telefónicas do processo Face Oculta que envolvem Armando Vara e José Sócrates e que fará parte dos arquivos da comissão parlamentar de inquérito à tentativa de compra da Media Capital, grupo que controla a TVI.

O procurador João Marques Vidal, coordenador do processo Face Oculta, propôs a Pinto Monteiro a abertura de uma investigação contra o então primeiro-ministro José Sócrates por “fortes indícios da existência de um plano (…) visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo de meios de comunicação social”. Pinto Monteiro discordou e promoveu a destruição das escutas telefónicas que envolvia Vara e Sócrates junto de Noronha de Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

O negócio foi investigado pelo Parlamento em 2010, quando Sócrates ainda era primeiro-ministro, tendo a comissão de inquérito concluído que o então líder do governo tinha tido conhecimento do plano que envolveu uma oferta inicialmente feita pela Portugal Telecom. A TVI e, em particular o jornal dirigido por Manuel Moura Guedes, eram considerados a nível dos socialistas como especialmente críticos em relação à atuação do antigo primeiro-ministro.

O pedido de Rosário Teixeira chegou ao Parlamento no mês passado na sequência de buscas ao Haitong, antigo Banco Espírito Santo de Investimentos (BESI) onde foi detetado um documento da autoria da diretora do departamento de serviços financeiros da instituição, Catarina Guerra. Este documento escrito à mão terá notas sobre uma reunião em que terá sido discutida a compra da Media Capital por um consórcio que incluía o Tagus Park, o Grupo Lena e investidores angolanos. Uma das figuras visadas neste negócio foi Pedro Rui Soares, que era administrador da Portugal Telecom, que por sua vez era acionista do Taguspark.

As suspeitas sobre a existência de um alegado plano do Governo então liderado por Sócrates para comprar uma estação de televisão privada vista como hostil ao então primeiro-ministro, surgiram na sequência das escutas feitas no caso Face Oculta. Estas escutas visavam Armando Vara, um dos suspeitos do caso pelo qual foi condenado, mas apanharam com o então primeiro-ministro, José Sócrates. Este registos foram mais tarde destruídos por ordens do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, conselheiro Noronha de Nascimento.