Foi lançando ontem, dia 14 de dezembro, na Fundação Liga (Fundação de Solidariedade Social), em Lisboa, integrado na festa de natal desta instituição, o Movimento Yonest True Yogart. O dia, esse, foi passado com muita energia positiva, música, animação e momentos protagonizados pelos utentes da Casa das Artes desta Fundação, portadores de deficiência.

O espaço que comemorou 60 anos em 2016, promove oportunidades culturais e artísticas para estimular e desenvolver o potencial criativo de cada pessoa, em qualquer idade e em qualquer circunstância, independentemente da sua funcionalidade física, psíquica, social ou cultural, no reforço da sua autoestima e reconhecimento social.

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A primeira peça está a ser leiloada neste momento e disponível para licitação na página de Facebook da Yonest aqui.

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A parceria resultou de uma ideia de Filipe Botto, CEO e fundador da Yonest, e da sua equipa composta por 15 pessoas. Esta empresa, conhecida por confecionar o verdadeiro iogurte grego à moda antiga, tem tentado ao longo dos seus três anos de existência, inovar por outras áreas e desenvolver projetos com impacto comunitário relevante através da arte.

A partir de agora, passa a ser possível a entregar embalagens velhas dos iogurtes da marca, (boiões em vidro), uma ideia já antiga e que surgiu de uma necessidade dos próprios clientes que contactavam a Yonest a saber que alternativa dar aos mesmos depois de consumidos. “Os nossos clientes perguntam-nos se não recebíamos os boiões utilizados porque não querem deitá-los fora. Claro que não temos uma infraestrutura para os receber na totalidade. A forma de dar um ângulo verde e de reutilização, de não terminar ali a vida daquele material, foi criar este projeto”, explica Filipe Botto.

A vida não tem de ser descartável

A escolha da Fundação Liga como parceira surgiu naturalmente: “achámos que seria a parceira certa para fazer algo que nunca ninguém fez antes”, acrescenta o responsável que aproveitou a festa de natal para convidar os presentes a integrar este projeto. “Não podemos deitar fora coisas boas e a vida hoje parece ser descartável. Queremos combater isso”. Tal como escreveu Fernando Pessoa, “só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura” e é precisamente com este pensamento que a equipa Yonest pretende fazer a diferença.

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Filipe Botto explica os desafios da Yonest para o próximo ano / BERNARDO MOTA

A forma de passar a mensagem e de chamar à atenção para este tema foi selecionar algumas pessoas de renome nacional e internacional, arrancando este projeto com três embaixadores a quem se irão juntar mais ao longo do ano. Ruth Manus, escritora e colunista do Observador, associou-se à causa e procurará colaborar através da escrita. “Não sou jornalista mas a minha proposta de escrita é que a pessoa sinta uma certa transformação depois de ler algo. Tenho acompanhado a Yonest desde o seu arranque mas esta é a iniciativa em que considero que poderei ter uma participação mais ativa através da arte de escrever”, explicou.

Transformar é aliás uma das palavras de ordem deste projeto que se divide em cinco etapas: GuardART (guardar boiões em vidro); ReciclART (entregar nos locais adequados para o efeito e nos pontos de entrega já existentes que se pretende que venham a aumentar); TransformART (criar produtos de utilidade e obras de arte a partir dos boiões reciclados); ReutilizART (dar uma nova utilidade a esse mesmo produto e leiloá-lo) e AjudART (as verbas adquiridas com os leilões e as vendas de cada produto revertem para a Casa das Artes da Fundação Liga).

Desafios para o próximo ano

“A nossa ideia passa por ter uma ocasião, pelo menos, trimestralmente, com vários tipos de arte. Por exemplo, a joalheira e nossa embaixadora Maria João Bahia já se disponibilizou a vir até cá e construir as peças com os utentes da Fundação. Pode até ser um momento de inspiração para que sigam uma carreira nas artes. É inspirador contactar com pessoas com deficiência e acredito que as mesmas mudam a nossa vida”.

Maria João Bahia confessa que “é com o maior prazer” que se associa a este projeto. “Estou certa que vai contribuir para o desenvolvimento de novas perspetivas plásticas e para o crescimento de todos nós. A arte não tem fronteiras, não tem limites, não tem fim.

A arte é a expressão plástica mais bela, mais simples e mais subjetiva. A arte está na forma como cada um de nós a consegue ver”. Foi precisamente de uma ideia simples que nasceu o Movimento Yonest True YogART que pretende dar palco a estes artistas mas também combater o desperdício, reutilizar toneladas de boiões de vidro, e ajudar uma instituição de solidariedade social.

João Garcia Miguel, artista plástico, aceitou de imediato o convite para embaixador deste Movimento. “Sendo um artista preocupado com o papel das artes na sociedade atual, costumo aliar-me às inúmeras iniciativas de cidadãos que têm os mesmos anseios e sonhos de construção de uma humanidade onde as palavras, tolerância, solidariedade, fraternidade e igualdade vão perdendo o sentido porque são parte dos nossos hábitos e sentimentos mais comuns. Deste modo, a iniciativa da Yonest é um gesto que se torna numa mensagem deste sonho pessoal que pretendo construir em conjunto nestes tempos conturbados em que vivemos.

Os outros são parte integrante de mim próprio, e sem eles, sou menos pessoa”, explica, salientando que contribuirá com “obras, gestos e palavras”.

O objetivo final para o ano de 2017 passa por “doar uma das peças criadas no âmbito deste projeto a um museu da cidade de Lisboa”. A par das iniciativas de responsabilidade social, Filipe Botto revela que o futuro da empresa que pretende ser “uma marca de paixões” incluirá “a afirmação em Portugal, o aumento da notoriedade, o lançamento de novos produtos e a aposta na internacionalização”.