Não seria o cenário ideal para Morais Sarmento, mas também não existe nenhum “obstáculo” a que o PSD declare o seu apoio a Assunção Cristas na corrida à câmara de Lisboa, nas eleições autárquicas do próximo ano. Mais claro para o antigo dirigente é o comportamento “autofágico” que os sociais-democratas têm adotado na procura de uma solução para a principal autarquia do país.

No seu espaço de comentário habitual da Renascença, no programa Falar Claro (que partilha com Vera Jardim), Morais Sarmento defendeu a ideia de que “o PSD tem militantes que podem encabeçar uma candidatura à Câmara de Lisboa”. O que não tem livrado o partido de dificuldades para acertar um candidato, a menos de um ano das eleições. Esse processo, aliás, merece de Morais Sarmento críticas ao “comportamento absolutamente autofágico” do PSD, “ao tratar desta forma e na discussão pública um tema que só faz sentido que seja tratado na reserva da relação entre os dois partidos”.

O antigo dirigente do PSD admitiu mesmo que teria sido muito motivador concorrer à presidência da Câmara de Lisboa, mas realça que agora seria “difícil”, acrescentando que o próprio PSD “tornou-o praticamente impossível”.

“Se [me perguntassem o que] me motivaria mais disputar as eleições para a Câmara de Lisboa ou para a liderança do partido, diria ‘eleições para a Câmara de Lisboa’. Sem nenhuma hesitação. Porque é uma cidade onde vivo, são os problemas que vivemos todos os dias, onde achamos que podemos fazer diferente. Agora, é difícil e o PSD tornou-o praticamente impossível”, afirmou o antigo ministro social-democrata que, no entanto, invocou as suas “circunstâncias pessoais e profissionais” como um obstáculo a um compromisso político continuado”.

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Neste momento, e tendo em conta os nomes que Sarmento encontra no PSD para concorrer à Câmara de Lisboa (a de Pedro Santana Lopes seria a “candidatura natural”), um apoio a Cristas seria “uma surpresa” para o social-democrata. Mas o tempo corre – a solução tem de surgir “tão cedo quanto possível”, diz — e os sociais-democratas continuam em branco. Soluções precisam-se, portanto, e é esse estado de espírito que explica a posição do ex-ministro em relação a Assunção Cristas: “Não vejo que exista algum obstáculo de princípio a que o PSD apoie uma candidatura do CDS à Câmara de Lisboa”.

“Mas, para que isso aconteça”, continua Sarmento, “tem de ser justificado e desejado pelos dois partidos e nunca surgir como uma solução de recurso ou de mal menos”.