O Mundo está sob o perigo de regressar a um “clima de Guerra Fria” e de mergulhar num período de “incerteza” na política global, o que inclui o próximo ato eleitoral em França. Esta foi a mensagem que François Hollande transmitiu aos cidadãos franceses durante a intervenção de Ano Novo, através da televisão, que decorreu neste sábado, a última do atual presidente que se encontra em final de mandato.

O presidente de França, que já anunciou não pretender candidatar-se às eleições que se realizam a 23 de abril de 2017, e a 7 de maio no caso, provável, de haver segunda volta, sublinhou que há períodos na História “em que tudo pode ser destruído” e alertou: “Estamos num desses períodos”. Hollande considerou que tudo pode ser “reversível”, incluindo a paz, a democracia e a Europa, e citou os exemplos das presidenciais em França, em que a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, surge como um das principais favoritas, a vitória do “Brexit” no Reino Unido e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

A propósito de Le Pen, líder da Frente Nacional, François Hollande alertou sobre o risco de eleger uma candidata que defende o abandono de França da União Europeia e da zona euro. E deixou um recado ao presidente eleito dos Estados Unidos: “França não deixará qualquer país, mesmo o maior, ameaçar” o acordo de Paris sobre as alterações climáticas.