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Qualidade de Vida

Para viver mais é preciso comer menos. Finalmente a confirmação científica – em primatas

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Já tinham sido realizados testes em laboratório, mas desta vez os efeitos benéficos de uma dieta pobre em calorias ficaram provados no aumento da longevidade de um grupo de primatas.

Reduzir o consumo de calorias pode ajudar-nos a viver mais tempo

Getty Images

Foram setenta anos a tentar entender a ligação entre o consumo reduzido de calorias e a longevidade – agora é “oficial”. Comer menos ajudou os mais de 200 primatas estudados a viver mais anos – mas os resultados variam com idade, espécie, e tipo de alimentos consumidos, e não podem ser, ainda, transpostos para a realidade humana. São as conclusões de uma investigação de Rick Colman, cientista do Centro National de Investigação a Primatas, no Wisconsin, Estados Unidos, Julie Mattison, do Instituto Nacional de Estudo da Longevidade (NIA) e Rafael de Cabo, chefe da equipa de Gerontologia do mesmo instituto.

Segundo o que se na revista Nature Communications, a ingestão de menos calorias resultou no aumento da longevidade entre os macaco resus, um dos tipos mais comuns da espécie. Em 2009 já tinha ficado provada a relação entre uma dieta mais fraca em calorias e a prevenção de doenças como o cancro, as doenças cardiovasculares e a resistência à insulina nos macacos que comiam menos entre o grupo de análise. Em 2012, porém, um outro estudo do NIA não encontrou relação entre a ingestão de mais alimentos e uma maior longevidade, mas tinha confirmado as melhorias nas condições de saúde.

Finalmente, ambas as equipas entenderam o que se estava a passar com a discrepância entre os dois estudos: primeiro, os investigadores tinham restringido o consumo de calorias aos macacos em estágios diferentes da vida sendo que os mais novos não viviam mais com a mudança da dieta, mas os mais velhos sim, depois da mudança. Segundo, os macacos mais velhos estudados pelo NIA comiam menos do que os estudados pelo grupo de Wisconsin. Terceiro: os dois grupos alimentaram os macacos de formas diferentes; enquanto o NIA deu aos seus macacos produtos de origem natural, a Universidade de Wisconsin alimentou-os maioritariamente com comida processada, com mais açúcar e mais gordura.

Estudos em outras espécies já tinham chegado à mesma conclusão. Por exemplo, os estudos feitos em rodentes provam que restrições calóricas logo no início da vida resultaram na redução de problemas de saúde e em vidas mais longas. O mesmo se verificou nas moscas da fruta. Baseados nas conclusões agora alcançadas nos macaco resus, os cientistas concluíram que a redução alimentar a partir da idade adulta pode de facto contribuir para o aumento da longevidade – mas ainda não é certo que isto se verifique em todas as espécies de macacos, quanto mais em todos os mamíferos, onde os humanos se incluem. Os investigadores alertam também para a ligação entre a longevidade, a redução do consumo de alimentos e o tipo de alimentos ingeridos pelos primatas mais saudáveis: produtos naturais.

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