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Banco de Portugal

Do supervisor para a Caixa. Ex-diretor tem de esperar pelo menos 6 meses

O diretor de supervisão nomeado em 2014 sai para o setor financeiro. Carlos Albuquerque deverá ir para a Caixa, mas tem de esperar pelo menos seis meses. O BCE decide.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O diretor do departamento de supervisão prudencial vai abandonar as suas funções no Banco de Portugal para desempenhar funções no setor financeiro. A SIC avançou que Carlos Albuquerque irá para a administração da Caixa Geral de Depósitos, a convite de Paulo Macedo, informação já confirmada pelo Observador.

No entanto, o novo administrador terá de fazer um período de nojo, ou cool-off, de pelo menos seis meses antes de poder exercer as novas funções. Quem vai definir o período de transição é o Mecanismo Único de Supervisão e a decisão vai depender da importância e do grau de informação a que Carlos Albuquerque acedeu no Banco de Portugal. O departamento de supervisão que dirigia desde 2014 é responsável pela monitorização da solidez financeira dos bancos do sistema e pelo cumprimento das regras nesta área, tendo por isso acesso a informação privilegiada ou protegida por sigilo bancário sobre instituições concorrentes da Caixa.

A ideia deste período de cool-off (arrefecimento) é esperar que a informação sensível deixe de estar atualizada. A nomeação de Carlos Albuquerque para a administração do banco público terá também de passar no crivo do BCE que ainda não se pronunciou sobre os nomes propostos para administradores não executivos.

Em comunicado, o Banco de Portugal diz que aceitou o pedido de Carlos Albuquerque, mas que impôs um período de transição (cool-off) durante o qual o antigo diretor não poderá exercer funções em instituições financeiros que estejam debaixo da supervisão portuguesa e do Mecanismo Único de Supervisão. Em causa está o cumprimento das normas de conduta nacionais e europeias.

Neste período, acrescenta, Carlos Albuquerque irá desenvolver funções, em regime de destacamento, num projeto externo de solidariedade social, ligado ao tema do sobre-endividamento, acrescenta o Banco de Portugal.

Segunda baixa na supervisão

Carlos Albuquerque tinha sido nomeado diretor de supervisão prudencial em setembro de 2014, ao mesmo tempo que foi indicado António Varela para o conselho de administração do Banco de Portugal com o mesmo pelouro. Estas nomeações aconteceram no rescaldo do colapso do Banco Espírito Santo e quando o supervisor estava debaixo de críticas, sobretudo na comissão de inquérito que se seguiu, pela sua atuação no BES.

António Varela demitiu-se do Banco de Portugal há cerca de um ano e agora é a vez de Carlos Albuquerque abandonar as funções de supervisão.

Antes de estar no Banco de Portugal, Albuquerque desempenhou vários cargos no BCP, tendo sido responsável pelo sistema de controlo interno do banco onde trabalhou com Paulo Macedo.

O conselho de administração do Banco de Portugal nomeou Luís Costa Ferreira para diretor do departamento de supervisão que a assim regressa a um cargo que já ocupou em 2014, antes de ir para a auditoria PwC.

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