A Direção Geral de Saúde (DGS) aconselha crianças, idosos e doentes crónicos a permanecerem em casa até quinta-feira de manhã e desaconselha a prática de desporto ao ar livre, por causa da nuvem tóxica provocada pelo incêndio que deflagrou, na terça-feira de madrugada, em dois armazéns com enxofre nas instalações da fábrica da Sapec, na Mitrena, em Setúbal. O alerto foi feito pelo diretor geral de Saúde, Francisco George, em conferência de imprensa, esta quarta-feira, na Direção Geral de Saúde (DGS). As escolas do concelho estarão fechadas esta quinta-feira.

“Há aqui que evitar a permanência no exterior ou fazer esforços ao ar livre. Há que evitar que esse esforço não dê origem a respiração mais rápida. As crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios crónicos e do foro cardiovascular são também aconselhados a permanecer no interior dos edifícios com as janelas fechadas e a cumprir com a medicação habitual para as respetivas condições de doença crónica. Estas recomendações são válidas a partir de agora e até amanhã de manhã”, afirmou Francisco George, justificando as recomendações com os “níveis elevados de dióxido de enxofre no ar, em especial sobre a Península de Setúbal (…)”.

Questionado pelos jornalistas, Francisco George afasta alarmismos e refere que “há um potencial risco”, sendo que se aplica apenas à Península de Setúbal e Alverca, por exemplo, “já não constitui um problema”. O diretor geral de Saúde lembrou ainda que a Linha Saúde 24 “está preparada para atender os cidadãos que procurem conselhos”. “Pode acontecer que amanhã de madrugada já não haja problemas”, completou o diretor geral de saúde.

Também as escolas do concelho de Setúbal vão estar fechadas esta quinta-feira, de acordo com um comunicado publicado no site do Agrupamento de Escolas Luísa Todi.

Esta informação chega depois de ontem a DGS ter dito que não haveria perigo de intoxicação decorrente da inalação do fumo tóxico (dióxido de enxofre) provocado pelo incêndio. Segundo a autoridade de saúde, a qualidade do ar já estava dentro dos valores de referência e as populações locais não correriam qualquer risco.

E também a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em comunicado na noite de terça-feira, tinha dito que a qualidade do ar na zona de influência do incêndio acabou por ficar restabelecida na noite de terça-feira.

Acontece que “a conjugação de uma maior dificuldade na extinção do incêndio com circunstâncias atmosféricas que conduziram à rotação dos ventos para o quadrante leste, levaram a que uma expectativa inicial de dissipação da nuvem poluente não se concretizasse”, explicou o diretor geral de Saúde.

O incêndio — ainda sem causas apuradas — deflagrou em dois armazéns com enxofre nas instalações da fábrica da Sapec às 3h00 de terça-feira, na Mitrena, em Setúbal. O enxofre é um material abrasivo e tóxico. Um dos armazéns ficou completamente destruído e o segundo vai ser demolido por questões de segurança.

De acordo com a Proteção Civil Municipal, além dos seis bombeiros feridos no combate ao incêndio durante na terça-feira, houve três pessoas que se dirigiram ao hospital com problemas provocados pela nuvem de fumo, mas todos foram considerados feridos ligeiros.

No local estiveram, terça-feira, 45 elementos de várias corporações de bombeiros, apoiados por 17 veículos, além de 30 elementos e 10 máquinas da fábrica que produz adubos agroquímicos.

Foram encerradas várias escolas, creches e o instituto politécnico mas ainda durante o dia de ontem a interdição foi levantada.

Mas ainda esta quarta-feira três empresas — Sapec Química, Boat Center e Sopac, da zona industrial da Mitrena — suspenderam a atividade por aconselhamento da Proteção Civil, devido à coluna de fumo provocada ainda pelo incêndio no armazém da Sapec Agro.

Os trabalhos ainda decorrem na fábrica da Sapec, que não parou de laborar. Esta manhã, o Comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, Paulo Lamego, disse que a única maneira de extinguir o enxofre era cobrindo-o com areia. E, em declarações à Lusa, revelou que já tinha sido coberta uma área de cerca de 60 metros do armazém onde ocorreu o incêndio, sendo que ainda falta cobrir outros 60 metros que ainda estão em combustão lenta e admitiu que a situação possa estar resolvida dentro de 24 horas. Estavam ainda no local mais de 20 homens e 11 veículos permanecem no armazém da Sapec Agro.

Nuvem chegou a Matosinhos

A nuvem de poluição causada pelo incêndio chegou a Matosinhos ao início da tarde, conforme mostram os dados das estações de monitorização da rede oficial de qualidade do ar.

Os dados foram recolhidos pelo Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.

No entanto, os valores registados nestas estações ficaram abaixo do limiar de alerta para as concentrações de dióxido de enxofre, que é de de 500 µg/m3 durante pelo menos três horas consecutivas