Quando passam dois anos sobre o acordo alcançado entre o Estado português e a farmacêutica Gilead para a comparticipação dos dois primeiros medicamentos antivíricos de ação direta para o tratamento da hepatite C — o Sovaldi (sofosbuvir) e o Harvoni (sofosbuvir+ledispavir) –, e findo o prazo de validade desse acordo, volta a haver fumo branco. O Governo chegou a acordo com a Gilead esta sexta-feira. Ao todo, e contando com os acordos já fechados este ano com outras três farmacêuticas, passam a estar disponíveis para os doentes oito medicamentos diferentes, informa o Infarmed, em comunicado.

“Neste momento foram autorizados mais de 15 mil tratamentos, ultrapassando-se as previsões iniciais de 13 mil para dois anos”, revela a Autoridade do Medicamento, acrescentando que “foi ainda obtida aprovação da utilização no SNS de um novo medicamento para o tratamento de todos os genotipos do vírus da hepatite C”.

O Infarmed sublinha que “a decisão de tratar todas as pessoas infetadas pelo vírus da Hepatite C, faz com que Portugal seja um dos primeiros países europeus, e mesmo a nível mundial, a implementar uma medida estruturante para a eliminação deste grave problema de saúde pública.”

Mais de 5.200 doentes curados graças aos medicamentos inovadores

Até esta sexta-feira já tinham iniciado tratamento 10.168 doentes, e, considerando o protocolo completo, 5.249 estavam curados e 192 não curados. Excluindo os que ainda se encontram em tratamento, a taxa de cura é de 96,5%, segundo a Autoridade Nacional do Medicamento.

Em 2015, quando o acordo entre o Governo e a Gilead foi assinado, não foi divulgado o valor pago por doente tratado, mas o ministro da Saúde de então, Paulo Macedo, referiu que se tinha chegado “a um valor médio por doente que, como a própria Gilead disse há dois dias, é um desconto que será mais do dobro daquele que foi anunciado” inicialmente. Portanto, se no início se falava num custo por tratamento de 48 mil euros, conclui-se das palavras do governante que o tratamento por doente teria ficado abaixo dos 24 mil euros.

O acordo marcou também um momento de viragem em termos de negociações com farmacêuticas. Pela primeira vez, o Governo português conseguiu que uma empresa farmacêutica aceitasse partilhar o risco. Ficou definido que caso um doente não ficasse curado, o laboratório oferecia outro tratamento gratuito. Além disso no acordo assinado ficou explícito que o Estado pagaria por doente tratado.

“Independentemente de o doente ser tratado em oito, 12 ou 24 semanas, o Governo pagará sempre o mesmo”, esclareceu Paulo Macedo.

Agora, fechado o acordo com as farmacêuticas, o Infarmed volta a não avançar com o preço dos medicamentos, mas frisa que “as condições negociadas são favoráveis, já que a concorrência gerada veio reduzir substancialmente os preços destes medicamentos, permitindo o tratamento de todos os doentes que deles necessitam e garantindo a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”.