Artigo atualizado às 12h06

O cunhado do Rei de Espanha, Iñaki Urdangarin, não terá afinal de pagar 200 mil euros de fiança para não ser preso de forma imediata, na sequência da setença a que foi condenado no âmbito do Caso Nóos, em que o marido da infanta Cristina, está envolvido. O juiz recusou esta quinta-feira o pedido do Ministério Público para ser imposto o pagamento de uma fiança, e permitiu que Urdangarin fique em liberdade na Suíça, onde reside, e não tenha de pagar a fiança, desde que se apresente periodicamente a um juiz.

Urdangarin tinha sido condenado na semana passada a seis anos e três meses de prisão por crimes de prevaricação, desvio de capitais, fraude, tráfico de influência e delitos contra o tesouro, no caso Nóos. Além da pena de prisão, Urdangarin teria de pagar uma multa de 512 mil euros.

No entanto, informa a imprensa espanhola, a sentença ainda não é definitiva, uma vez que Urdangarin pode recorrer da decisão para o Supremo. Por esse motivo, Urdangarin esteve esta quinta-feira em tribunal para conhecer quais as medidas cautelares a que estaria sujeito enquanto a sentença não é definitiva. Citado pelo El País, o juiz José Castro, instrutor do caso Nóos, sublinha que “se a sentença acabar por se confirmar [pelo Supremo] terá de ser executada”.

Cinco factos que talvez não saiba sobre Urdangarin e o caso Nóos

O caso Nóos remonta a 2006, altura em que o jornal El Mundo denunciou um pagamento suspeito feito por uma instituição pública ao Instituto Nóos, empresa de fachada liderada por Iñaki Urdangarin, o marido da infanta Cristina.

A investigação começaria oficialmente cinco anos depois, em 2011, quando foram encontradas as primeiras evidências contra Urdangarin e a infanta Cristina, e a acusação formal viria apenas em 2014. A filha do Rei e o marido foram acusados de fraude fiscal e de branqueamento de capital, depois de o caso ter contribuído, durante oito anos, para a perda de credibilidade da Casa Real.

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Em causa está o desvio de dinheiros públicos para Urdangarin — Cristina foi implicada por ter beneficiado do dinheiro desviado — através do Instituto Nóos, uma suposta fundação desportiva sem fins lucrativos.

Urdangarin e o seu sócio Diego Torres terão cobrado mais de seis milhões de euros aos governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares, para realizarem eventos públicos com um custo substancialmente inferior (cerca de dois milhões de euros). O restante era desviado para as empresas privadas de Urdangarin e de Torres.

Conheça todos os detalhes do Caso Nóos neste artigo.

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