E agora uma notícia que pode abalar o mundo tal como o conhecemos: um grupo de investigadores anunciou ter descoberto um conjunto de fósseis no Canadá com vestígios de uma antiga bactérica que poderão ser a evidência mais antiga de vida na Terra. Os minúsculos filamentos e tubos formados por bactérias foram encontrados numa zona geológica remota na zona leste do Canadá chamada Nuvvuagittuq, que foi explorada pela primeira vez na década de 90.

Incrustados em camadas de quartzo, no que se supõe que fosse um antigo sistema hidrotermal subaquático onde surgiram as primeiras formas de vida, os cientistas acreditam que os fósseis têm entre 3,7 e 4,4 mil milhões de anos. Ou seja: que surgiram 340 milhões de anos depois de a Terra ter sido formada, explica o The New York Times.

Mas nem todos parecem estar convencidos. Alguns especialistas mostraram-se céticos em relação às descobertas de Mattew S.Dodd, Dominic Papineau e restante equipa, publicadas esta quarta-feira na revista Nature. Martin J. Van Kranendonk, um geólogo da Universidade de New South Wales, na Austrália, responsável pela descoberta de fósseis com 3,7 mil milhões de anos na Gronelândia, em agosto 2016, descreveu o padrão descoberto nas rochas canadianas como dubiofósseis, de acordo com The New York Times. Isto é, estruturas semelhantes a fósseis onde não é possível provar que, em tempos, existiu de vida.

Os investigadores responsáveis pelo novo estudo garantem, contudo, terem despistado todos os outros tipos de classificação, tendo confirmado que se tratavam de facto de fósseis de organismos. “As estruturas são compostas por minerais que se formam a partir da putrefação e estão bem documentados nos registos geológicos”, afirmou Dominic Papineau, da Universidade da Califórnia, principal autor.

“O facto de as termos descoberto numa das mais velhas formações de rocha conhecidas sugere que encontrámos provas diretas de uma das formas de vida mais antigas da Terra.” Além disso, os fósseis foram formados numa altura em que “Marte e a Terra tinham água líquida à superfície, colocando questões emocionantes sobre a vida extraterrestre”. “Portanto, é de esperar que encontremos em Marte provas de vida há 4 mil milhões de anos ou, se isso não acontecer, a Terra pode ter sido uma exceção”, acrescentou.