O candidato à presidência francesa d’Os Republicanos, François Fillon, acusou o Presidente de França, François Hollande, de o ter colocado sob escuta e de estar por trás das denúncias que levaram ao escândalo Penelopegate. A denúncia foi feita esta quinta-feira, numa entrevista ao programa L’Emission politique. François Hollande reagiu de imediato, negando as acusações e acusando o ex-primeiro-ministro de fazer “alegações mentirosas”.

“Hoje em dia há jornais que recebem documentos 48 horas depois de eles serem apreendidos em buscas, por exemplo, no meu gabinete na assembleia nacional”, disse “Quem é que lhes dá esses documentos. O serviços [de informação] do Estado. E você acha que os serviços [de informação] do Estado fazem isso sem terem cobertura da sua hierarquia?”, perguntou ao jornalista. Depois, concretizou a acusação: “Vou colocar em causa o Presidente da República”.

François Fillon falou mesmo de “um escândalo de Estado”. Para dar sustentação à sua tese, citou o livro Bienvenue Place Beauvau, escrito por três jornalistas franceses — entre estes, dois são do Carnard enchaîné, que esteve por trás da denúncia do escândalo Penelopegate. No dia 14 de março, François Fillon foi formalmente indiciado pelos crimes de desvio de fundos públicos e apropriação indevida de fundos. Referindo-se àquele livro, o candidato d’Os Republicanos, que foi primeiro-ministro entre 2007 e 2012, falou da existência de uma “sala escura”, que é um termo usado para referir o sítio onde já no século XVIII costumavam ser lidas as cartas de pessoas suspeitas.

“O único escândalo [que existe] não diz respeito ao Estado, mas antes a uma pessoa que terá de responder perante a justiça”, disse François Hollande

Nesse livro, ainda segundo François Fillon, é explicado “como François Hollande canaliza todas as escutas judiciárias que lhe interessam diretamente para o seu gabinete o que é uma ilegalidade total”. Chamado a reagir, um dos autores do livro, Didier Hassoux, negou as palavras do candidato d’Os Republicanos. “Nunca escrevemos isso”, garantiu. “Essa sala escura não existe.”

Mais sonante ainda foi a rejeição do próprio François Hollande. Em comunicado, o gabinete de imprensa do Eliseu disse que “o Presidente da República condena com a maior firmeza as alegações mentirosas de François Fillon”. “Desde 2012, e isso é um facto conhecido, o executivo nunca interveio num processo judicial”, disse aludindo para o ano em que tomou posse, que foi também o ano em que François Fillon deixou de ser o número dois de Nicolas Sarkozy.

François Hollande insinuou ainda que pode processar François Fillon pelas suas palavras. “O único escândalo [que existe] não diz respeito ao Estado, mas antes a uma pessoa que terá de responder perante a justiça”, disse. Não é claro se o Presidente francês se referia ao caso Penelopegate ou se pretende mesmo avançar com um processo contra o candidato do centro-direita.