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Seis viagens de finalistas que correram (ou podiam ter corrido) mal

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Do "balconing" à destruição de paredes para fazer um duplex, as viagens de finalistas nas estâncias turísticas espanholas já acabaram com a morte de pelo menos dois jovens portugueses.

Getty Images for Temple Nightclu

Todos os anos pela altura da Páscoa milhares de jovens estudantes portugueses, na casa dos 17, 18 anos, partem de autocarro para o sul de Espanha para celebrar o final do ensino secundário. A polícia e a GNR reforçam o controlo no local e nas fronteiras para evitar os abusos relacionados com o consumo de álcool e droga, sendo que a PSP, apesar de não ter autoridade em terreno espanhol, destaca habitualmente agentes para aquelas regiões que, por estes dias, são inundadas de portugueses.

Benalmádena, Torremolinos, Marina D’Or e Punta da Umbria são hoje alguns dos destinos mais requisitados. Para trás ficou Lloret de Mar, que durante muitos anos foi o destino de eleição dos finalistas do secundário de todo o país. Mas que nem sempre acabou bem. Em 2010, um jovem de 17 anos morreu ao cair de uma varanda naquela estância turística, e em 2012 o cenário repetiu-se.

No dia em que centenas de finalistas portugueses foram expulsos do hotel onde se encontravam em Los Álamos, Torremolinos, por alegado comportamento de vandalismo, o Observador recorda algumas das histórias que marcaram tragicamente a semana dos finalistas e outras que podiam ter acabado mal.

Duas mortes por quedas de varanda

Março 2010. Um jovem português de 17 anos morre na sequência de uma queda da varanda de um hotel em Lloret de Mar, Espanha. Tratava-se de Artur Pimentel, um jovem de Lamego, que caiu da varanda do 3º piso do hotel onde se encontrava.

Foi a tragédia que fez soar os alarmes sobre o comportamento dos jovens durante aquela semana de férias, numa altura em que se falava muito na estranha prática do “balconing” — saltar de varanda em varanda para ir para os quartos dos colegas, ou, pior, saltar da varanda para a piscina do hotel. Apesar disso, não houve indícios de que o jovem de Lamego tivesse caído da varanda na sequência de uma brincadeira fatal, com a polícia a optar pela tese de “queda acidental”.

Março, 2012. Dois anos depois, nova tragédia também com uma queda da varanda. Desta vez foi um estudante português de Casto Verde, de 17 anos, que caiu da varanda do quarto (virada, não para a piscina, mas para a rua), no quinto andar do hotel, depois de uma discussão com a namorada. Também nesse caso a polícia descartou a hipótese de “balconing”, até porque a varanda não dava para a piscina, apontando antes para o cenário de queda acidental.

“Balconing”, saltar de varanda em varanda ou da varanda para a água

Na sombra de tudo isto esteve sempre a “brincadeira” de saltar da varanda para a piscina, ou mesmo de saltar de varanda em varanda para aceder aos quartos dos outros colegas. 2007 foi quando esta prática mais ficou conhecida, depois de um vídeo publicado no Youtube em abril mostrar um um rapaz a empoleirar-se do lado de fora da varanda e mergulhar na piscina, motivando logo palmas e gritos de incentivo dos colegas.

O vídeo português tornou-se viral, mas estava longe de ser o único. Vários jovens de várias nacionalidades aderiram à prática em diversas estâncias turísticas, de Lloret a Ibiza ou Benidorm, havendo vários registos de feridos e até mortos. Em 2012, a autarquia de Lloret de Mar chegou a aprovar novas leis para combater aquilo que definia como o “turismo da bebedeira”, incluindo sanções para combater o “balconing”, com multas que podiam ir até aos 3 mil euros, ou a proibição das rotas conhecidas como pub tours.

Partir paredes e improvisar festas de espuma

Em 2013, André Calado, sócio fundador da X-Travel, recordava histórias de Lloret de Mar, antes das tragédias de 2010 e 2012, à revista Sábado. O responsável dizia então que “nos Tempos de Lloret de Mar, havia comas alcoólicos todos os dias, cheguei a ter grupos que abriam cinco e seis extintores para fazer festas de espuma nos quartos e uma vez partiram uma parede para ficarem com um duplex”.

Nesse mesmo artigo, André Calado afirmava: “Agora os excessos acontecem em termos de sexo. Elas saem seminuas, ouvi vários a comentar que estiveram com três ou com quatro raparigas”, dizia.

Multado por urinar na rua

Calp, perto de Benidorm, é outro dos destinos habituais destas viagens que juntam finalistas do ensino secundário. Também à revista Sábado, em 2013, um jovem de 18 anos recordava a multa de 190 euros que lhe tinha sido passada pela polícia espanhola, “por ter urinado na faixa de rodagem quando se dirigia para uma discoteca”, à meia-noite e meia de 20 de março de 2012.

Os agentes que surpreenderam o jovem “pediram ao segurança de um hotel próximo que acompanhasse o finalista até à porta do apartamento” onde estava. O mesmo apartamento onde o adolescente já tinha “furado o teto com uma vassoura para escrever a palavra ‘sex'”.

Esquiar às 4h da manhã

Nem todas as viagens de finalistas têm como cenário localidades espanholas à beira mar. As preferência também passam por estâncias de ski. Uma delas é Pas de la Casa, em Andorra, onde aconteceu mais um caso citado pela reportagem da revista Sábado.

Três jovens que integravam um grupo em viagem, em março de 2013, deixaram a discoteca onde estavam, já de madrugada, para “fazer um desvio a casa”. De acordo com o relato publicado no artigo, “já estavam embriagados, com vodka e absinto”. E foi por volta das 4h da manhã que decidiram “descer as pistas a essa hora, com a estância encerrada e sem qualquer segurança nem equipa de socorro”. Subiram a encosta a pé, com os elevadores desativados, para depois descerem. “Foi um bocado perigoso, só que já estávamos com os copos. À noite aquilo estava cheio de gelo”, contava então o mesmo finalista.

O fim antes do princípio. Detido por posse de droga

Este ano, a história da viagem de finalistas de um aluno de uma escola de Oeiras acabou antes de começar. O jovem de 18 anos foi apanhado com 100 gramas de haxixe durante uma intervenção preventiva da PSP, numa paragem para abastecimento da carrinha onde os alunos seguiam viagem.

De acordo com o Correio da Manhã, assim que os agentes abordaram os jovens, um deles mostrou-se muito nervoso e, quando confrontado pela polícia, admitiu logo estar na posse de haxixe. O aluno mostrou onde tinha escondido a droga, que terá adquirido por 200 euros. De seguida, foi detido e levado para a esquadra.

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