Doenças

A jovem de 17 anos que morreu com sarampo não estava vacinada

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Jovem de 17 anos internada com sarampo em Lisboa morreu na madrugada desta quarta-feira. A adolescente estava internada no hospital D. Estefânia em Lisboa. Não estava vacinada.

"[Não devemos] fazer o sacrifício em publico de ninguém”, defendeu Adalberto Campos Fernandes

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Autores
  • Miguel Santos Carrapatoso
  • Agência Lusa

A jovem de 17 anos internada com sarampo em Lisboa morreu na madrugada desta quarta-feira. Estava internada desde o passado fim-de-semana, devido a uma pneumonia bilateral. Não estava vacinada e acabou por não resistir às complicações do seu estado de saúde.

A confirmação foi dada por Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, numa conferência de imprensa que contou também a com a intervenção de Francisco George, diretor-geral de saúde. Segundo a informação avançada por Francisco George, o óbito foi declarado “depois das cinco da manhã”. Na véspera, ministro e diretor-geral de saúde estiveram no hospital D. Estefânia para acompanhar a evolução do estado de saúde da jovem.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) explicou, em comunicado, que a jovem morreu “na sequência de uma situação clínica infeciosa com pneumonia bilateral — sarampo” e adiantou mais informações: “A família acompanhou toda a evolução da situação clínica e o CHLC, com tristeza, lamenta a ocorrência e presta, publicamente, os seus sentidos pêsames”.

A jovem terá sido contagiada por uma criança de 13 meses que não estaria vacinada. A rapariga foi depois transferida da unidade hospitalar de Cascais para o Hospital D. Estefânia onde esteve num quarto de isolamento, nos cuidados intensivos. Segundo a Direção-Geral de Saúde, há já 21 casos confirmados de sarampo. As escolas estão em alerta com a epidemia de sarampo.

“Não tememos cenários de uma grande epidemia”, assegura Francisco George

Na conferência de imprensa a partir do Ministério da Saúde, o diretor-geral de saúde garantiu que não razões para alarmismos. “O sarampo nunca terá uma expressão de grande escala em Portugal. Não tememos cenários de uma grande epidemia”, afirmou Francisco George.

O diretor-geral de saúde fez ainda questão de desvalorizar o movimento anti-vacinação em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países, como a Itália. A taxa de cobertura da vacinação é neste momento de cerca de 96%, um nível que permite afastar qualquer cenário de grande epidemia. “A cobertura é de tal maneira alta que o sarampo encontra dificuldades em progredir“, garantiu o responsável.

Francisco George assegurou ainda que existem vacinas para todas as crianças em idade de vacinação. Além disso, o diretor-geral de saúde revelou também que há “uma reserva estratégia de 200 mil doses de vacinas” disponível para todos os adultos com menos de 40 anos que, não estando vacinados, o queiram fazer. As pessoas com mais de 40 anos de idade terão, em teoria e com grande índice de probabilidade, os anticorpos no seu organismo que dispensam a vacina, explicou Francisco George.

Sem adiantar grandes detalhes sobre o estado de saúde das outras pessoas infetadas com o vírus do Sarampo, o responsável pela Direção-Geral de Saúde assegurou que o estado de saúde da bebé de 13 meses que terá contagiado outras seis pessoas — incluindo a jovem de 17 anos que morreu esta quarta-feira — demonstra uma evolução que “não é preocupante”.

Sobre o número de crianças que podem não estar vacinadas em Portugal, Francisco George estima que sejam cerca de “10 mil a 15 mil“, um fenómeno pouco expressivo, sobretudo quando comparado com outros países.

Já foram confirmados 21 casos de sarampo em Portugal e existem ainda 18 casos em investigação, explicou o responsável. Até ao momento, oito casos de suspeitas de sarampo não foram confirmados.

“Estamos no início de um processo de estabilização”

Adalberto Campos Fernandes, por sua vez, assegurou que o surto de sarampo está “em vias de resolução”. “Estamos no início de um processo de estabilização. O dispositivo está a funcionar, as autoridades de saúde estão a trabalhar, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação estão a trabalhar em conjunto para tranquilizar os pais. Não há razão para alarme“, assegurou o governante.

Desafiado a tomar uma posição sobre a discussão que promete dominar a agenda política e mediática — a vacinação deve ou não ser obrigatória? Os pais que não o fazem devem ser responsabilizados? –, o ministro da Saúde disse que este não era o momento de ter essa discussão.

“Não foi por falta de obrigatoriedade que atingimos taxas de 95% de vacinação”, começou por dizer o ministro, defendendo que ninguém se deve “precipitar” em tecer “juízos de valor” sobre os pais que decidem não vacinar os filhos. “[Não devemos] fazer o sacrifício em publico de ninguém”.

A terminar, Adalberto Fernandes deixou ainda uma nota: “O que queria dizer é que confiem nas autoridades de saúde e no dispositivo de saúde pública. É preciso dizer com firmeza que o principal debate das sociedades modernas não é se a vacina deve ser obrigatória ou não. É sobre aquilo que é hoje a desvalorização da melhor evidência cientifica em detrimento de um conjunto de opiniões esparsas que muitas vezes são responsáveis por incidentes e ocorrências que podiam ter sido evitados. A vacinação é segura e eficaz. É tempo de parar com as opiniões e de parar com a especulação em torno da evidencia cientifica“.

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