Quando o príncipe Philip, marido da rainha Isabel II, abandonar de vez a sua vida pública — o que acontecerá a partir de agosto deste ano — é provável que acabem também as numerosas gaffes que ao longo dos anos se tornaram na sua imagem de marca.

Até aqui, o duque de Edimburgo participava em cerca de 300 eventos por ano, entre inaugurações, visitas, discursos ou refeições. Philip chegou a descrever-se como “o melhor corta-fitas do mundo”.

Esta quinta-feira, a Casa Real anunciou que o príncipe consorte britânico vai deixar todos os compromissos públicos. Ficam as memórias das gaffes que protagonizou em dezenas de aparições públicas — recorde algumas:

Em 1965, por exemplo, quando visitava uma exposição de arte etíope no Reino Unido, o marido de Isabel II atirou uma das suas mais antigas e memoráveis gaffes. “Isto parece o tipo de coisa que a minha filha traria da escola, das aulas de arte”, disse, referindo-se às obras expostas no museu.

“As mulheres britânicas não sabem cozinhar”, disse no ano seguinte. A frase polémica tornou-se numa das mais conhecidas tiradas de Philip, o príncipe das gaffes.

Numa visita ao Canadá, em 1969, já começou a demonstrar a sua apetência para inaugurações constrangedoras. Ao lado da Rainha, num dos eventos em que o casal participou, afirmou simplesmente: “Declaro esta coisa inaugurada, o que quer que seja”.

Em 1981, o príncipe ultrapassou, para muitos, o limite do razoável, quando disse, referindo-se à crise que afetou o Reino Unido no início da década de 80: “Toda a gente dizia que devíamos ter mais lazer. Agora queixam-se de que estão desempregados”.

“São surdos? Se estão perto daquilo não admira que estejam surdos”, afirmou o príncipe consorte durante uma visita a uma escola, num encontro com… crianças surdas.

Num evento em 1997 com o chanceler alemão, Helmut Kohl, Philip recebeu-o com a expressão “Reichskanzler”, um título usado pelo chefe de Estado alemão há vários anos. O último a usá-lo tinha sido Hitler, o que causou um desconforto diplomático entre os dois líderes.

“És demasiado gordo para ser astronauta”, disse o príncipe a uma criança de 13 anos que lhe tinha dito que gostava de ir ao espaço.

Quando visitou a Austrália em 2002, visitou encontrou-se com empreendedores aborígenes. Nesse encontro, perguntou sem hesitar: “Ainda atiram lanças uns aos outros?“.

“Sabia que agora fazem cães que comem para ajudar os anoréticos?”, perguntou o príncipe Philip… a uma mulher cega com o seu cão-guia.

Num evento em 2012, o príncipe Philip comentou o vestido de uma funcionária do governo britânico quando a cumprimentava. “Eu iria para a cadeia se abrisse esse vestido”, disse-lhe. Era um vestido vermelho, curto, com um fecho em toda a extensão na parte da frente.

Num encontro entre o casal real e Malala Yousafzai, em que a jovem paquistanesa esperava o apoio do governo britânico à sua causa pelo direito à educação para as jovens mulheres, o príncipe Philip afirmou que as crianças “só vão à escola porque os pais não os querem em casa”. Malala riu-se.

Quando assistiu a um espetáculo do grupo de dança Diversity, composto apenas por dançarinos negros, perguntou: “São todos da mesma família?”