O relatório sobre a renegociação da dívida pública apresentado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda “foi um passo de gigante”, defende Francisco Louçã, que destaca o corte de 72 mil milhões de euros que resultará da proposta conhecida na semana passada.

Em entrevista ao Público e à Rádio Renascença, o antigo dirigente do Bloco e que esteve envolvido no grupo de trabalho, diz que com este relatório, “pela primeira vez, passou a haver uma posição maioritária na política portuguesa, porque o acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda representa um maioria na política portuguesa (penso que na opinião pública portuguesa também, as sondagens o dirão)”. E considera que o Governo fica vinculado a apresentar uma proposta aos parceiros europeus.

O economista reconhece que os socialistas usaram a fórmula de foi o partido a assinar e não o Governo, apesar de o grupo de trabalho incluir o secretário de Estado do Orçamento. No entanto, a proposta conhecida na semana passada “tem de ser tomada a sério” porque agora existe uma proposta concreta com números.

Agora somos nós a dizermos à Europa que queremos um corte de 72 mil milhões de euros na dívida”. Na entrevista, sublinha ainda que a União Europeia “tem que responder perante essa (proposta de) reestruturação. É preciso dar esse passo.”

Quando questionado sobre o timing adequado para avançar com essa proposta no contexto europeu, considerando as eleições que estão horizonte, Louçã admite que a liderança europeia está em desagregação, mas insiste que devemos “falar com quem está. E o Estado português passou a ter uma obrigação de ter uma proposta e essa proposta faz uma mudança”. E ainda que reconheça que o Governo não deve avançar já com uma proposta formal junto das instituições europeias, o Eurogrupo e o Conselho Europeu, aguardando por uma clarificação política, defende que o Executivo deve começar já a referir e discutir a ideia em conversas informais e a nível técnico.

Nesta entrevista, Francisco Louçã declara ainda o fim do conflito entre o Governo e o Banco de Portugal. O antigo dirigente do Bloco, que faz agora parte do conselho consultivo do supervisor, considera que houve um conflito e uma crise gravíssima entre o Governo e a maioria política e o governador, por causa do resolução do BES e da venda do Novo Banco. No entanto, conclui que o Executivo decidiu não dar início a um processo de destituição, com base em falha grave, “portanto esse assunto está encerrado. Não há agora um processo de substituição do governador e não vai haver no contexto em que estamos a viver”.