A aranha mais temida do Brasil pode ser a solução para a disfunção erétil, mais eficaz do que o Viagra e sem os riscos do comprimidinho azul para quem sofre de problemas cardíacos. A picada da aranha armadeira pode ser letal para crianças, idosos ou pessoas doentes — mesmo quando se sobrevive, o veneno provoca dores fortes por todo o corpo, taquicardias e vómitos. Mas há um efeito secundário que um grupo de cientistas acredita ter conseguido isolar: uma super-ereção que pode durar várias horas, sem riscos para a saúde.

O El Español conta a história das investigadoras bioquímicas, lideradas por uma cientista reformada com 76 anos de idade, que venderam a uma farmacêutica a patente da sequenciação molecular que foi testada, com sucesso, em ratinhos. O grupo de cientistas dedica-se há vários anos a estudar o veneno desta aranha que vive muito próxima das populações, esconde-se em locais escuros e ataca ao mínimo incómodo. A aranha armadeira também é conhecida por aranha bananeira, por se esconder nos caixotes de bananas e, dessa forma, viajar até pontos longínquos no mundo.

Quando picados, além de todos os efeitos já mencionados, os homens sentem uma dor intensa no pénis, associada a uma ereção intensa e prolongada no tempo — o priapismo. Marta do Nascimento Cordeiro, a cientista de 76 anos que apesar de aposentada continua a fazer investigação num laboratório em Minas Gerais, explica como se conseguiu isolar só um efeito. “Em geral, ao fracionar venenos conseguimos encontrar moléculas com efeitos terapêuticos interessantes. É o caso da Phoneutria Nigriventer“, o nome científico da aranha.

“Eu creio que dentro de 3 a 5 anos, a solução para os problemas de disfunção erétil poderão estar resolvidos. Mas não cabe a nós, apenas: a indústria farmacêutica tem de investir”, afirma Marta Nascimento. A investigação em torno do veneno desta aranha pode, também, ajudar a criar medicamentos para outros fins, como analgésicos, neuroprotetores e inseticidas”.