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Moda

“Não é difícil vestir com pinta sem gastar uma fortuna”

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As palavras são de Mariama Barbosa que trabalha há mais de 20 anos em moda. A style adviser acaba de lançar o livro "Só É Feio Quem Quer" e enumerou cinco dicas para vestir bem e barato ao Observador.

Mariama Barbosa nasceu na Guiné-Bissau e veio com cinco anos de idade para Portugal.

HENRIQUE CASINHAS/OBSERVADOR

Autor
  • Sílvia Silva

Entre a hashtag #casojá, muitas tesouradas e pow pow pow, Mariama Barbosa defende que não há desculpas para andar mal vestido. “Sabes qual é o meu novo lema? Só é feio quem quer”, disse ao Observador em janeiro. Quatro meses depois, transformou o seu manifesto num livro onde partilha uma mão de conselhos “para provar que não é difícil vestir com pinta sem gastar uma fortuna”. Uma bíblia de estilo, que acaba de chegar às livrarias, onde a relações públicas e apresentadora do Tesouros e Tesouras grita — por experiência própria — que só se veste mal quem quer. “Sempre gostei de moda e sempre vivi no meio dela, mas também já vacilei muito no estilo, já me senti insegura e desconfortável, perfeitamente convencida de que não estava no meu melhor momento”, confessa em entrevista e no terceiro capítulo do Só É Feio Quem Quer.

Hoje, o cabelo afro é a sua imagem de marca, aconselha figuras públicas em matéria de imagem e, na hora de almoço, ainda frequenta aulas de tonificação no ginásio. A par do vício por vestidos (e casacos), Mariama não tem medo de dizer o que pensa e, mesmo sendo bombardeada com insultos e chamadas de atenção, é a primeira a apontar que limitamo-nos a vestir as mesmas calças e a comprar as mesmas camisolas muitas vezes. “Já para não falar das vezes que dizemos a nós próprios que os famosos andam sempre impecáveis porque têm imenso dinheiro”, alerta.

Mesmo com um orçamento limitado consegue-se inovar e impressionar todos os dias. Claro que há pessoas mais bonitas que outras, mas existe um brilho em cada um de nós que não pode ser extinto e deve ser reavivado”, defende Mariama Barbosa.

O livro foi publicado pela Esfera dos Livros e custa 16,90€. Aqui, Mariama mostra a capa em versão XL. © Henrique Casinhas/Observador

Com ajuda da própria consultora de estilo que trabalha há mais de 20 anos em moda, o Observador enumerou cinco dicas fundamentais para vestir bem e barato. Ora tome nota:

1. Escolha o que tem de sair e ficar no armário

“Quando organizamos o armário é mais fácil ter perceção da roupa que temos. Pode ser uma tarefa dolorosa mas também tão libertadora”, diz Mariama Barbosa ao Observador. Porquê? “Saber exatamente as peças que se tem não só vai ajudar a poupar muito tempo na hora de escolher o que vestir, mas também vai permitir economizar muito dinheiro em compras impulsivas”, responde a relações públicas no guia prático. Comece por fazer uma vistoria completa ao armário para enterrar as peças que não têm salvação possível e, em caso de dúvida, deite fora tudo o que não veste há pelo menos dois anos. Liberte-se das peças apertadas e dos sapatos pequenos que, segundo a autora, não merecem o esforço. Só os vestidos clássicos, peças de caxemira e peças antigas de boa qualidade é que merecem uma segunda oportunidade.

2. Aceite mudanças de visual

Aceitar um processo de mudança é um desafio mas, de acordo com Mariama Barbosa, uma lavagem no visual é poderosa o suficiente para mudar a sua vida. “Arriscar é um espírito e o medo é o pior inimigo”, afirma a autora. Seja medo de usar aquela peça tendência ou pintar ou cabelo, a mudança vai ajudá-la com os problemas de confiança e autoestima. “Se tens uma vida ativa em sociedade, eventualmente vai perceber que cuidar da imagem e pensar no que vestes é tão importante como lavar os dentes ou tomar banho”, acrescenta a especialista. Nesta tarefa, chame um amigo com fama de ser brutalmente honesto (mesmo quando não deve) para não ter medo de dar uma opinião sincera.

3. Acabe com as desculpas monetárias

Depois de ter o armário organizado e bem escolhido, mudar implica sempre algum investimento mas há formas de torná-lo mais leve com escolhas inteligentes e ponderadas. “Eu, como adoro pechinchas, não me importo de vasculhar as lojas à procura de um bom negócio e garanto-vos que mais de metade do meu guarda-roupa é constituído por peças que custaram menos de 50€”, desabafa Mariama Barbosa. “A isso chama-se estilo e estilo não tem nada a ver com dinheiro.” Em forma de crítica a todos os que lamentam não ter nada para vestir porque as roupas bonitas só são acessíveis a quem é rico, a autora franze a testa e afirma que tudo depende do destino que queremos dar ao dinheiro porque basta conjugar umas calças cheias de pinta com uma t-shirt branca “para fazer virar muitas cabeças”.

Atenção: antes de sair de casa faça uma lista das peças que procura e, de acordo com o seu orçamento, estabeleça um preço máximo para casa uma delas. (Ilustração retirada do livro Só É Feio Quem Quer)

4. Invista em peças essenciais

Segundo a autora, precisa apenas de uma peça essencial para criar a base de uma série de looks. Leia-se uma t-shirt e camisa branca, um vestido preto, um blazer, umas calças de ganga e um biker de pele. À lista juntam-se também uns ténis brancos, uma camisola de gola alta e um trenchcoat. “Peças que podemos usar 365 dias por ano e encontrar à venda dos 7€ aos 20€”, promete Mariama Barbosa. “Eu sou grande adepta da poupança e a forma que encontro para poder ter a roupa e os acessórios de que tanto gosto, é fazer escolhas sensatas e apostar em peças básicas mais baratas às quais dou um toque de charme com um ou outro acessório mais impactante que também não seja muito caro”, conta Mariama Barbosa.

5. Valorize os acessórios

Com um orçamento limitado, “o mais importante é comprar duas ou três peças-chave que podem ser conjugadas com as peças básicas”. Invista em brincos, numa boa carteira grande, numa carteira pequena (ou clutch) e num lenço/écharpe, mesmo que implique gastar algum dinheiro. “A ideia é que pense no guarda-roupa como uma criação a longo prazo ao qual acrescentas apenas peças e acessórios indispensáveis. A moda reinventa-se rapidamente, mas há peças que nunca perdem atualidade”, promete a relações públicas da agência de comunicação Showpress. “As poupanças devem ser distribuídas pelas peças que considera serem as mais prioritárias.”

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Texto de Sílvia Silva, fotografia de Henrique Casinhas.
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