Investigadores do Equador descobriram uma nova espécie de sapo de “vidro” na floresta Amazónica. A curiosa pele transparente do anfíbio, que se estende pelo peito e barriga, permite que se veja o coração a bater.

Hyalinobatrachium Yaku é o nome científico do novo sapo descoberto por uma equipa da Universidade de San Francisco de Quito, liderada por Juan M. Guayasamin. Os pontos verdes escuros nas costas e as práticas reprodutivas são traços que o distinguem dos restantes anfíbios de “vidro”, como explicam no documento publicado na revista científica ZooKeys.

Os machos guardam os ovos, que são fixados debaixo de folhas de árvore, até que estes ecludam e caiam para as correntes de água. Eu trabalho com sapos todos os dias, e esta é uma das espécies mais bonitas que já vi”, conta Juan Guayasamin.

Apesar de todos os sapos do género apresentarem pele transparente, nem todos têm o coração tão visível. “Nem todos os sapos “vidro” têm corações que se conseguem ver através do peito. Alguns têm o coração branco, não se consegue ver o sangue”, conta à New Scientist Paul Hamilton, da organização sem fins lucrativos “Biodiversity Group”.

No entanto, os investigadores alertam para o perigo de extinção da espécie, que se encontra exposta à extração e produção de petróleo na área. “A água é fundamental para a reprodução de todos os sapos “vidro”. A poluição desta, maioritariamente devido a atividades relacionadas com petróleo, representa uma das grandes ameaças aos anfíbios da Amazónia, assim como de outras espécies dependentes de água”, pode-se ler no artigo na ZooKeys.

A construção de vias rápidas constitui outra ameaça à espécie, atuando como barreiras à interação com outras espécies.