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Ciberespionagem

EUA. Alegada autora de fuga de informação sobre investigação a interferência russa foi detida

Reality Winner é a alegada autora de uma fuga de informação sobre a investigação a suspeitas de interferência russa nas eleições americanas. Jovem consultora já foi detida e acusada.

Reality Winner, 25 anos, foi acusada pelo Departamento de Justiça dos EUA de "delito contra a segurança nacional"

Foi detida uma colaboradora externa dos serviços secretos americanos, suspeita de ser autora de uma fuga de informação sobre a investigação em curso à alegada espionagem russa nas últimas eleições presidenciais nos EUA. É acusada pelo Departamento de Justiça norte-americano de revelar informação classificada sobre essa investigação. Reality Leigh Winner, de 25 anos, foi detida esta segunda-feira no estado da Geórgia e acusada de um crime contra a segurança nacional.

Winner trabalhava para a consultora Pluribus International e tinha autorização para aceder a informação classificada como “muito secreta”. Segundo o Departamento de Justiça, a acusada imprimiu, em 9 de maio, informação classificada e retirou-a das instalações para a entregar a um meio de comunicação, o site The Intercept. “Distribuir material classificado sem autorização ameaça a segurança da nossa nação e mina a confiança pública no governo”, afirmouo, em comunicado, o número dois do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein. Winner arrisca agora uma pena de prisão que pode ir até aos dez anos.

O The Intercept publicou na segunda-feira documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) em que se detalham as intenções do governo russo de atacar informaticamente atores envolvidos no sistema de votação nos EUA, bem como para se infiltrar nas comunicações de funcionários relacionados com o sistema eleitoral. Estas informações constam de um documento “muito secreto” da NSA, com cinco páginas, em que se explicam as técnicas de infiltração e ‘phishing’ (correio eletrónico malicioso) utilizadas pela Rússia.

A investigação em curso envolvia o software usado nos aparelhos de voto eletrónicos das eleições presidenciais norte-americanas que, em novembro do ano passado, teriam sido alvo de um ciberataque organizado pelos serviços de informação militar russos. A informação consta de um relatório classificado da Agência Nacional de Segurança (NSA), com data de 5 de maio, a que o The Intercept teve acesso.

De acordo com esse relatório — naquela que é a mais extensiva análise à interferência de Moscovo no ato eleitoral –, ao longo de um mês antes das eleições que ditaram a vitória de Donald Trump, os serviços russos terão conduzido ciberataques contra a infraestrutura de voto dos EUA. Além do ataque ao sistema informático, os hackers terão lançado emails de “spear-phishing” (com um remetente falso e que tem como objetivo recolher abusivamente dados pessoais dos seus alvos).

Embora não sejam conhecidas conclusões definitivas sobre o grau de penetração do ataque informático ou sobre as reais consequências dessa ação, torna-se clara a tentativa de intervenção de organismos russos de elevada responsabilidade nas eleições para a Casa Branca. No caso relatado pelo The Intercept, o relatório aponta responsabilidades diretas aos serviços de informação militares russos, o GRU.

Elementos do principal serviço de informação militares de Moscovo “executaram operações de ciberespionagem contra uma empresa norte-americana em agosto de 2016 para obter informações relacionadas com o software e hardware usado nas eleições. Esses responsáveis terão usado a informação recolhida nesse ataque para lançar uma campanha de spear-phishing sobre os eleitores em que eram visadas organizações governativas locais dos EstadosUnidos”, aponta o relatório.

Na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin rejeitou quaisquer ligações do país a eventuais ataques a empresas norte-americanas que estivessem ligadas à eleição de novembro, ao afirmar que Moscovo “nunca esteve ligada a essas atividades ao nível do Estado nem tem intenção disso”. O relatório da NSA contradiz as declarações de Putin.

De acordo com o The Intercept, a denúncia contendo o relatório da agência norte-americana de segurança chegou à redação de forma anónima. Mas, horas depois, a CNN dava conta de que a funcionária Reality Leigh Winner tinha sido acusada de ter acedido a informação classificada da NSA e de a ter enviado a um meio de comunicação social digital. De acordo com a estação norte-americana, foi a informação partilhada por Winner que esteve na base do artigo publicado, mais tarde, pelo The Intercept.

Relatório do FBI explica ligação

Entretanto, o site WikiLeaks divulgiu um documento do FBI em que alegadamente é explicada a ligação entre Reality Winner e a alegada fuga de informação.

No documento, o agente Justin Garrick refere que Winner era uma funcionária da Pluribus International Corporation destacada para trabalhar numa agência federal na Georgia. Tinha chegado à agência em fevereiro deste ano e, durante o tempo em que esteve em funções, teve acesso a material classificado. Há cerca de um mês (provavelmente a 9 de maio), Reality Winner imprimiu o relatório da NSA em que se dá conta da intervenção russa no software eleitoral norte-americano. Winner foi uma de seis pessoas a aceder àquela informação, que depois “imprimiu e removeu indevidamente”. O relatório do FBI diz que, “dias mais tarde”, a funcionária “transmitiu ilegalmente o relatório a um meio de comunicação digital”.

O alerta chegou ao FBI no primeiro dia de junho, depois de a NSA ter sido confrontada pelo The Intercept com o teor do relatório. Depois de examinar o documento, a NSA concluiu que o relatório estava “classificado como altamente secreto, o que significava que a sua divulgação sem autorização poderia resultar em danos excecionalmente graves para a segurança nacional” dos EUA.

Só depois de fazer uma auditoria ao computador de Winner (e dos outros cinco suspeitos que tinham acedido ao relatório e imprimido o documento) a NSA concluiu que Winner tinha entrado em contacto com o meio de comunicação digital, ao qual fez chegar o relatório por email.

Confrontada com o acesso ao documento, Winner admitiu ter acedido àquela informação. “Winner também admitiu ter removido a informação classificada do seu escritório, ter retido o documento e tê-lo enviado a partir de Augusta, na Georgia, para um jornal, que ela sabia não estar autorizado a receber ou deter os documentos”, refere o relatório do FBI.

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