A carta termina de modo informal: “Um abraço. Ana”. É assim que Ana Botín, a presidente do grupo Santander, se despede na mensagem que enviou esta manhã, por email, a todos os colaboradores do Banco Popular, para lhes dar as boas vindas num grupo onde já trabalham mais de 190 mil pessoas.

A mensagem, enviada poucas horas depois de ser comunicada aos mercados a decisão de compra do Banco Popular pelo Santander e a que o jornal El Confidencial teve acesso, começa por destacar o trabalho das equipas do Popular – e por elogiar a forma como “ganharam a confiança dos clientes”, algo que é também prioritário para um banco como o Santander, defende a executiva.

O vosso trabalho e esforço diário converteram o Banco Popular num líder em segmentos tão importantes para a economia espanhola como a banca das pequenas e médias empresas, graças a relações de confiança que construíram os vossos clientes”, defende Botín.

Para a mulher que herdou do pai, Emílio Botín, a liderança de um império financeiro, o plano passa agora por garantir que todos os colaboradores do Popular “se sintam parte de um grupo onde já trabalham 190 mil pessoas. Sem detalhar os próximos passos do projeto de integração e reestruturação, garante apenas que “nas próximas semanas e meses vamos dar-vos todo o apoio para que possam atender os clientes de igual forma ou ainda melhor cada um dos nossos clientes”.

Ana Botín pede ainda que os futuros colaboradores, agora do grupo Santander, identifiquem eventuais problemas ou “algo que não funcione”.

Ana, a quarta geração Botín

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Nascida em Santander em Outubro de 1960, Ana Botín formou-se em Ciências Económicas nos EUA, na Universidade Bryn Mawr College, na Pensilvânia. Filha mais velha de Emílio Botín (que teve seis filhos), integrou os órgãos de gestão do banco desde 1989, depois de uma curta passagem pelo JP Morgan, em Nova Iorque. Já no Santander, foi ela que liderou o projeto de expansão do banco espanhol na América Latina. Passou também pelo Banesto e foi administradora da sucursal britânica do Santander. Casada desde os 23 anos, é mãe de três rapazes e tem uma fortuna pessoal avaliada em cerca de 120 milhões de euros. Em 2014, assumiu as rédeas do grupo financeiro no dia seguinte à morte do pai, em Setembro desse ano, devido a um enfarte. Aos 56 anos, Ana Botín é hoje a representante da quarta geração num império que sai reforçado com a compra de mais um banco.

Reforça a ambição de que, “juntando forças, nos vamos converter no líder da banca espanhola”. E recorda que está em causa um universo “e uma grande responsabilidade com os quatro milhões de clientes do Banco Popular que, desde hoje, fazem parte do Santander”. A partir de hoje, remata, “vamos fazer as coisas de forma sensata, personalizada e justa convosco, com os nossos clientes, os nossos acionistas e a sociedade”. No final, “um abraço”.

Em Portugal, também durante a manhã, os trabalhadores do Popular também receberam uma mensagem do presidente da operação portuguesa do Santander, António Vieira Monteiro, a dar as boas vindas ao grupo espanhol.