Theresa May só deve começar a fazer mudanças no Governo a partir de sábado. Já se sabe que alguns conselheiros da agora eleita primeira-ministra do Reino Unido poderão ser substituídos. Mas May anunciou que as “questões pessoais ficam para outro dia” e que está agora focada em formar a equipa que vai sentar-se no Conselho de Ministros.

Os cinco principais ministros do novo governo de Theresa May mantêm-se inalterados. Philip Hammond, Boris Johnson, Amber Rudd, Sir Michael Fallon e David Davis não abandonam os cargos que já ocupavam. Enquanto não se sabe se a tendência se mantém, relembramos os cinco que já se conhecem.

Philip Hammond

Ministro da Finanças

Começou a estudar na prestigiada Universidade de Oxford no mesmo dia em que o Partido Trabalhista foi eleito, nas eleições de 28 de fevereiro de 1974. Desde então, enfatizou o desejo de ver um governo que promovesse estabilidade económica. Tornou-se um conservador.

Sentou-se pela primeira vez na Câmara dos Comuns em 1997 quando foi eleito pelo círculo eleitoral de Runnymede and Weybridge, uma circunscrição eleitoral criada nesse ano. Entrou para o conselho de ministros de David Cameron em 2010. Desde então, já lhe passaram pelas mãos as pastas dos Transportes, da Defesa, dos Negócios Estrangeiros e, agora, pela segunda vez, das Finanças.

Defendeu a permanência do Reino Unido na União Europeia mas ainda assim garante que vai defender os interesses do país nas negociações, tendo alertado que o “setor de serviços financeiros é provavelmente o mais afetado de forma direta”.

Boris Johnson

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Também estudou na Universidade de Oxford. Tem um currículo vasto no jornalismo. Começou no The Times como estagiário mas acabou despedido. Em 1989, começou a trabalhar como correspondente em Bruxelas no The Telegraph. No ano seguinte, tornou-se diretor da revista Spectator.

Em 2001, chegou à Câmara dos Comuns quando ganhou olugar ao ser eleito pelo círculo eleitoral de Henley. Passou pelos ministérios da Cultura e da Educação. Em 2008, tornou-se Presidente da Câmara de Londres, cargo que ocupou até 2016.

Boris Johnson. As muitas polémicas do homem que diz não à UE

É a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, para a qual fez uma campanha. Quando David Cameron deixou o cargo de primeiro-ministro, depois do referendo que deu o “sim” ao Brexit que Johnson queria, fez uma campanha para suceder a Cameron. Acabou por ser escolhido para ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May.

Amber Rudd

Ministra do Interior

Desde que assumiu o cargo de ministra do Interior, Amber Rudd já respondeu a três ataques terroristas e tornou-se a ministra de confiança de Theresa May, tendo-a substituído em vários debates televisivos.

Estudou História na Universidade de Edimburgo e trabalhou no setor bancário, em Londres e em Nova Iorque, antes de chegar ao Parlamento, quando, em 2010, foi eleita pelo círculo eleitoral de Hastings and Rye.

Antes de assumir o cargo de ministra do Interior, passou-lhe pela mão a pasta do Clima. Entre 2015 e 2016, Rudd foi ministra da Energia e das Mudanças Climáticas, no Governo de David Cameron. Foi uma das conservadoras que mais defendeu que Reino Unido deveria permanecer na União Europeia, tendo levado a cabo uma campanha pró-UE.

Michael Fallon

Ministro da Defesa

Volta agora a ter a pasta da Defesa. Já foi secretário de Estado da Educação, entre 1990 e 1992, para os Negócios e Empresas, em 2012, e da Energia, em 2013. Mas antes de entrar para a o política, Michael Fallon foi, na verdade, diretor de um ginásio, o Bannatyne Fitness.

Durante o referendo da saída do Reino Unido da União Europeia, Fallon apoiou a permanência do país e apoiou Theresa May durante a disputa de liderança com Boris Johnson para assumir o cargo de primeiro-ministro.

Uma curiosidade: o agora ministro da Defesa foi um dos poucos conservadores que tentou, em sucesso, persuadir a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher a não renunciar do seu cargo como primeira-ministra.

David Davis

Ministro do Brexit

Tem um variado currículo de formação escolar. Estudou Ciências da Computação e Ciências Moleculares na Universidade de Warwick. Passou também pela London Business School e pela prestigiada universidade norte-americana de Harvard.

Dos 33 deputados eleitos em 1987 que ainda continuam na política, Davis é o único que integra o Governo. Foi eleito pela primeira vez com 38 anos, pelo círculo eleitoral de Haltemprice anda Howden.

Foi presidente do Partido Conservador. Passou pelos ministérios das Finanças e dos Negócios Estrangeiros e tem agora em mãos as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, decisão que apoia. Davis anunciou que, no processo de saída, vai tomar medidas para traduzir as leis da UE em leis britânicas.

Texto editado por Vítor Matos