O ministro do Ambiente anunciou esta sexta-feira que o prazo de discussão pública da estratégia nacional para a biodiversidade será alargado até 30 de setembro, afirmando que ainda não está completamente definido como será financiada a iniciativa até 2025.

À margem de uma sessão de apresentação da estratégia no Ministério do Ambiente, em Lisboa, João Pedro Matos Fernandes disse à agência Lusa que a discussão pública tem sido participada e acrescentou que, embora estejam garantidos meios financeiros para começar a aplicá-la, “não há forma de poder assegurar, como se deseja, a conservação da natureza até 2025”.

Sentimos que apesar de a primeira data ser 31 de julho, é fundamental prolongá-la”, indicou.

João Pedro Matos Fernandes lamentou que falta “a informação certa para os agentes que gerem o território”, sem a qual não se pode conseguir uma gestão de proximidade: “Só se gosta do que se conhece, só se cuida do que se gosta”, ilustrou.

No seu discurso, perante responsáveis do setor, o ministro afirmou que os organismos da administração pública responsáveis pelo ambiente “têm que ser tão exigentes consigo como são com os outros” e fazer o trabalho de planeamento que está em falta.

“Não me conformo que a administração tenha perdido o hábito de planear e conhecer o próprio setor”, disse Matos Fernandes à Lusa, ressalvando que “a conservação da natureza pôde, nos últimos 15 anos, lamentar-se de ausência de mecanismos de financiamento da sua própria atividade”.

Pelo menos “a atividade de planeamento, conhecimento e reconhecimento dos valores que estão em causa é fundamental”, defendeu, indicando nomeadamente ao Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta, que deve garantir que estão prontos “em tempo” os planos que faltam.

O ministro considerou que as áreas protegidas são 8% do território nacional e que “concentram o que de melhor Portugal tem do ponto de vista territorial, ambiental e de biodiversidade”.

João Pedro Matos Fernandes referiu que a estratégia para estas áreas tem que incluir o fator humano, lamentando que nas áreas protegidas se tenha perdido nos últimos anos “20% da população”, o dobro da média para o interior do país.

Abandonar ou deixar abandonados estes territórios também é uma perda de biodiversidade, não só da capacidade de gerar riqueza”, frisou.

As atividades humanas como a agricultura ou pastorícia também ajudaram a moldar a natureza nas áreas protegidas, parques naturais e o único parque nacional português, o da Peneda-Gerês, foi apontado como bom exemplo da gestão de proximidade que se pretende para todas as áreas protegidas.