O CDS-PP decidiu retirar o seu apoio ao candidato à Câmara Municipal de Loures, André Ventura, onde os democratas-cristãos corriam em coligação com o PSD, depois de comentários do candidato social-democrata sobre a comunidade cigana terem causado mau-estar. O PSD decidiu manter o seu apoio, decisão com a qual Passos Coelho diz estar tranquilo.

Depois das declarações polémicas do candidato, que afirmou que existia “uma excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas” e que “os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado”, os dois partidos reuniram-se para avaliar o caso. As decisões, foram, no entanto, em sentido contrário. O CDS-PP avançou primeiro retirando-se da coligação, e assim o seu apoio ao candidato do PSD, argumentando que escolheu “seguir um caminho próprio no concelho de Loures nestas eleições autárquicas de 2017”.

No mesmo comunicado enviado às redações, o CDS argumenta ainda que manifestou “no seio da coligação o seu profundo incómodo com as referidas afirmações”. André Ventura, autor das polémicas declarações sobre a comunidade cigana, encabeçava a coligação “Loures Primeiro”, que unia PSD e CDS.

Já o PSD, não só manteve o seu apoio ao candidato André Ventura, como ainda lamentou a decisão tomada pelo partido liderado por Assunção Cristas: “O PSD mantém o apoio ao candidato do partido à Câmara Municipal de Loures. Lamentamos que o CDS não mantenha esse apoio, mas respeitamos a posição agora assumida pelo CDS”, disse fonte da direção do partido, em declarações à Agência Lusa.

Pedro Passos Coelho prestou declarações esta tarde de terça-feira em apoio André Ventura. “Foi importante que tivesse oportunidade de clarificar o que é que queria ter dito”, disse. Passos afirma estar “tranquilo” quanto à posição do PSD que garante que “é uma posição não racista e não xenófoba”.

Já antes Francisco Mendes da Silva, dirigente do CDS, comentara o caso na rede social Facebook, ao dizer que não existe “praticamente nada que André Ventura diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista”. Foi também Mendes da Silva quem pediu que o seu partido não ficasse associado a “tão lamentável personagem” por nem mais um dia.

Dirigente do CDS pede a partido para retirar apoio a André Ventura em Loures depois de críticas a ciganos