Pelo menos 21 insurgentes muçulmanos e 11 agentes das autoridades morreram esta sexta-feira em Mianmar, no estado de Rakhine, que tem sido marcada desde outubro por uma insurgência da minoria Rohingya, alvo de discriminação por parte do governo, apoiado pela maioria budista.

Segundo a Reuters, os ataques provocados pelos insurgentes Rohingya tiveram como alvo 24 esquadras e também uma base militar.

O estado de Rakhine tem sido palco de violência entre a minoria muçulmana e a maioria budista. Os Rohingya, de origem no Bangladdesh, queixam-se de violações dos Direitos Humanos por parte do governo liderado Aung San Suu Kyi, que não lhes reconhece o estatuto de cidadãos daquele país. Esta discriminação tem levado à formação de grupos armados e radicais, como aquele que lançou o ataque desta madrugada.

Os Rohingya, que não fazem parte dos 135 grupos étnicos reconhecidos pelo governo de Mianmar, representam aproximadamente 1,2 milhões entre os 54 milhões de habitantes de Mianmar. Por não reconhecerem o estatuto dos Rohingya, as autoridades de Mianmar costumam descrevê-los como “bengali” (sugerindo assim que são imigrantes ilegais naquele país” ou como a “comunidade islâmica do estado de Rakhine”.

Kofi Annan recomenda “ação concertada” para evitar “ciclo de violência”

Os ataques aconteceram pouco depois de o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, entregar o relatório final da Comissão de Rakhine à primeira-ministra de Mianmar, Aung San Suu Kyi. O relatório recomenda a implementação de um processo de verificação de cidadania, direitos e iguadade perante a lei. Segundo a Comissão de Rakhine, o estado de Rakhine é afetado por um problema de deslocamento interno e de falta de liberdade de movimento que “afeta a desproporcionalmente a população muçulmana”.

“A não ser que haja uma ação concertada, da responsabilidade do governo em colaboraçao com todos os setores de governação e da sociedade, aconteça em breve, estamos em risco de voltar a um novo ciclo de violência e radicalização, o que irá aprofundar ainda mais a pobreza crónica que afeta o estado de Rakhine”, disse Kofi Annan. “No entanto, se forem implementadas com o propósito com que foram concebidas, acredito firmemente que as nossas reconmendações, juntamente com o nosso relatório, pode levar a uma paz duradoura, ao desenvolvimento e ao respeito pela lei no estado de Rakhine.”