A agência noticiosa estatal da Coreia do Norte, KCNA, divulgou imagens do líder Kim Jong-un a avaliar o arsenal nuclear do país. As imagens circularam horas antes do sexto ensaio nuclear levado a cabo por Pyongyang e revelam informações até agora desconhecidas quanto à capacidade nuclear do regime. A KCNA chama-lhe bomba H: uma bomba de hidrogénio.

Afinal, qual é a diferença entre uma bomba atómica e uma bomba de hidrogénio?

O ensaio nuclear em causa aparenta ser o maior e mais bem sucedido teste feito pela Coreia do Norte. Estima-se que o sismo provocado pelo ensaio tenha atingido a magnitude de 6.3 na escala de Richter.

De acordo com a especialista Melissa Hanham, citada pela BBC, “não há forma de confirmar que esta ogiva [das fotografias] tenha sido a testada no túnel, pode até ser um modelo”. Mas Hanham acredita que “a mensagem é clara: eles querem mostrar que sabem o que é uma ogiva nuclear credível”.

Mesmo que seja um modelo, explica Hanham, “ sinais suficientes neste modelo para o tornar muito credível“, nomeadamente o tamanho, formato e o detalhe que as fotografias revelam. Nas redes sociais, as opiniões dividem-se: há quem acredita que o líder norte-coreano está demasiado perto da ogiva para ser um modelo verdadeiro. Pode, contudo, estar desarmado.

A ogiva é credível?

Foto: STR/AFP/Getty Images

A ogiva nuclear que se vê na fotografia aparenta ser do tamanho exato, garante Melissa Hanham à BBC. No formato de um “amendoim”, é possível que a parte dianteira da bomba seja onde ocorre a fusão nuclear. A parte dianteira carregará o combustível nuclear. Aparenta ser legítima, não só pelo detalhe mas também pela estrutura que a imobiliza e aguenta.

A possível veracidade da bomba pode também ser comprovada pela caixa de fusíveis que a acompanha.

A caixa de fusíveis

Foto: STR/AFP/Getty Images

A acompanhar a bomba está a caixa de fusíveis que, a comando próprio ou com temporizador, daria início à reação nuclear. No fundo, arma e desarma a bomba. Aqui é possível ver os cabos de alimentação desligados e enrolados, o que leva a crer que a ogiva esteja desarmada – fará sentido, uma vez que não está colocada no cone e, além disso, o líder norte-coreano está a tocar livremente no explosivo.

A mão que toca na ogiva

Foto: STR/AFP/Getty Images

Kim Jong-un tem tendência para se deixar fotografar junto do seu arsenal. Já no passado foi fotografado a fumar junto de depósitos de combustível, ou a tocar num míssil que estava prestes a ser lançado. Desta vez, decidiu tocar numa ogiva nuclear, o que não será, só por si, um sinal determinante sobre a veracidade do material que estava na sua presença. Embora desarmada, a ogiva contém material explosivo e nuclear (se for real).

O cone leva a ogiva?

Foto: STR/AFP/Getty Images

O cone dourado do míssil balístico intercontinental Hwasong 14 sugere que a ogiva nuclear é passível de ser carregada por esse equipamento.

O Hwasong 14 foi apresentado ao mundo a 4 de julho deste ano e, de acordo com a fotografia divulgada, tem capacidade para carregar uma ogiva no seu cone. O receio da comunidade internacional é de que nesse dia a Coreia do Norte tenha conseguido, pela primeira vez, um voo bem sucedido de um míssil capaz de atingir a costa Oeste dos Estados Unidos – o Hwasong 14 tem um alcance de 10 mil quilómetros.

Sem contar com o território continental americano, a ilha de Guam, no pacífico, já foi por diversas vezes ameaçada pelo regime de Kim Jong-un.

O que significa o gráfico?

Foto: STR/AFP/Getty Images

Num gráfico estrategicamente colocado junto à caixa de fusíveis mostra um diagrama de como a ogiva nuclear é colocada dentro do cone do míssil intercontinental que a transporta. É possível perceber que a caixa de fusíveis seria colocada na base do cone, com a zona dianteira de fusão a encaixar na ponta do míssil, suportada por uma estrutura metálica dentro do cone. Este gráfico pode ser vir para dar mais credibilidade à arma.