As cirurgias plásticas são de modas. Primeiro, a tendência era igualar as feições de Angelina Jolie. Com o sucesso da série F.R.I.E.N.D.S., o aspeto de Jennifer Aniston tornou-se um exemplo popular e, nos últimos anos, as Kardashians tinham-se tornado o epíteto da beleza ideal. Se o padrão aqui segue a norma (magra e branca), não deveria haver espanto quando os cirurgiões plásticos começaram a receber pedidos com base na aparência da primeira-dama norte-americana Melania Trump e da filha do presidente, Ivanka.
O cirurgião plástico nova-iorquino Norman Rowe conta à Page Six que “desde o verão de 2016, têm sido quatro por mês, uma por semana” as mulheres que lhe dão a referência de Ivanka Trump antes de se submeterem a cirurgias plásticas. “Nunca vi ninguém citar a cara dela [Ivanka] antes das primárias”, explica.
É um fenómeno? Algumas mulheres, diz Rowe, estão dispostas a pagar até 40 mil euros em enchimentos temporários e tratamentos de Botox, e até mesmo procedimentos mais invasivos, nomeadamente rinoplastias e implantes nas bochechas, para se aproximarem do look Ivanka.

Também o cirurgião plástico Franklin Rose conta ao USA Today que “a Ivanka é o novo ícone da cirurgia plástica”. Mas os pedidos não se ficam pela filha do presidente norte-americano. Também a primeira-dama Melania é objeto de culto nas clínicas.
A linha do maxilar, o nariz e as bochechas de Ivanka são as partes do corpo mais frequentemente dadas como exemplo e são as mais fáceis de alterar, sem grandes procedimentos. Já detalhes como a linha do cabelo e sobrancelhas implicam cirurgias mais invasivas e permanentes. Os enchimentos de lábios são já um clássico desde que o clã Kardashian trouxe de volta a moda dos lábios mais preenchidos.
Mas o fascínio com as caras conhecidas não é de agora. Julian de Silva, um cirurgião londrino, criou em 2016 o que chama de “cara perfeita”, um compilação das feições mais frequentemente pedidas na sua clínica: o nariz da duquesa de Cambridge, os olhos de Keira Knightley, os lábios de Penélope Cruz e a testa de Miley Cyrus.

Mas o fundador da clínica ESHO, Tijion Esho, diz ao The Guardian que só é possível – e aconselhável – alterar feições físicas quando existe algo original que seja estruturalmente semelhante ao que é ambicionado. Da mesma forma, é feita uma avaliação psicológica: “Quando alguém diz que quer ficar igual ou parecido a uma certa celebridade, a primeira preocupação deverá ser: esta pessoa terá um transtorno dismórfico corporal [dismorfofobia]?”
A dismorfofobia é um quadro clínico psiquiátrico que leva um paciente a criar uma obsessão com defeitos físicos imaginários ou mínimos e que afeta cerca de 2,4% da população.
Talvez dentro de 4 ou 8 anos (dependendo da duração do mandato de Donald Trump) a moda acabe por dar lugar a outras figuras. É essa a convicção do cirurgião nova-iorquino Alan Matarasso, que falou ao The Guardian: “Não há dúvida que, quando uma figura pública atraente aparece nos media com frequência, recebemos estes pedidos. É natureza humana e não é exclusivo destas duas mulheres”.




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