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Galaxy Note 8. Uma super máquina por um super preço

O Note 8 é precisamente o que parece: um grande smartphone. O tamanho não é tudo, mas é a grande mais valia: um ecrã assim agarra qualquer um. Desde que tenha mil euros para pagar por ele.

O ecrã do Note 8 é um Super AMOLED com 6,3 polegadas. A imagem é excelente

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Autor
  • Pedro Esteves

O primeiro contacto com um smartphone grande gera, a maioria das vezes, um espanto negativo. “Isto é demais”, “não cabe no bolso das calças”, “preciso das duas mãos para segurar nisto”. Nesta noção subjetiva do tamanho, o Samsung Galaxy Note 8 troca as voltas à perceção. Na mão não é tão grande como parece e as 6,3 polegadas do ecrã Super AMOLED (Infinity Display) são mesmo de encher o olho, é a primeira grande característica em que se repara, mesmo que esteja em stand by pousado em cima da secretária. Quem passa, inevitavelmente, repara nele.

Galaxy Note 8

A favor

  • Qualidade do ecrã, Super AMOLED de 6,3 polegadas
  • Dupla câmara fotográfica
  • S Pen
  • Performance geral

Contra

  • Revestimento da parte traseira, enche-se de dedadas com demasiada facilidade
  • Posição do sensor de impressão digital
  • Preço

Os Note sempre foram máquinas grandes viradas para o desempenho e para a produtividade, que se pode avaliar pelo detalhe mais simples: o conforto da leitura no ecrã. Não são precisos mais do que uns minutos para que qualquer pessoa concorde que ler uma notícia num ecrã deste tamanho é extraordinariamente confortável. Mais: perde-se rapidamente a vontade de voltar a pegar num smartphone com 4,7 polegadas ou menos.

O Samsung Galaxy Note 8, que fomos conhecer a Londres em primeira mão — e sobre o qual mantemos a opinião que partilhámos neste artigo — herda as características da série, não apenas no tamanho, mas também na performance geral. As especificações são de topo e fazem deste Note o mais potente de sempre, um passo tecnológico fundamental e bem dado para recuperar do percalço do ano passado — o fiasco que foi o Note 7.

Na primeira impressão a Samsung mostrou que deu a volta (os primeiros números confirmam-no), mas uma coisa são as apresentações em ambiente controlado, outra é a utilização no dia-a-dia.

Duas semanas com o Note 8 no bolso (sim, cabe) bastaram para reforçar as primeiras impressões. Este smartphone é, de facto, um dos melhores disponíveis atualmente no mercado e tem no ecrã um dos melhores argumentos. O outro, seguramente um dos mais importantes para a maioria dos utilizadores, é a câmara fotográfica.

Este é o primeiro Galaxy com duas câmaras principais, cada uma com uma resolução de 12 MP, estabilizador de imagem e zoom ótico 2X. Como pode ver na fotogaleria que se segue, a qualidade de imagem é excelente.

Imagem em modo automático, sem zoom

Pedro Esteves/Observador

A abertura f1.7 garante boas fotografias com pouca luz ambiente, ao ponto de nos esquecermos que a máquina tem flash. As duas câmaras do Note 8 acrescentam a função Live Focus, que desfoca o fundo do plano (o equivalente, no iPhone 7 Plus, ao modo retrato), é manipulável em tempo real e é bastante eficiente, apesar de exigir mão firme e cuidado no ponto de focagem.

Esta câmara produz fotografias e vídeos (até 4K) que resultam em ficheiros pesados, que acabarão por esgotar os 64 GB de memória interna, um problema que se resolve acrescentando um cartão microSD para expandir a capacidade de arquivo até 256 GB — no modelo DUAL isso não é possível, caso se opte pelo segundo cartão SIM. Mas, verdade seja dita, durante duas semanas a fotografar e a fazer vídeo com frequência, não sentimos a necessidade de expandir memória.

A utilização é fluida e despreocupada. O sistema operativo corre sem engasgos e a bateria chega ao final de um dia de trabalho ainda com 30% — em utilização moderada.

O Note 8 é resistente à água e ao pó, ao ponto de ser possível utilizar o smartphone com o ecrã húmido. Não puxámos a corda, mas o material passou o teste dos salpicos. Os materiais escolhidos são eficientes a proteger, mas não tão amigos da estética: a parte traseira parece atrair sujidade, é excelente a reter a gordura das mãos — um problema que pode deixar de o ser, na medida em que boa parte dos utilizadores deverão optar pelo uso de uma capa de proteção.

O revestimento “atrai” a gordura das mãos, mas a zona da câmara dificilmente fica marcada. À direita da câmara, ao lado do flash, encontra-se o sensor de impressões digitais

A posição do leitor de impressões digitais, encostado à direita das câmaras, fazia antever o pior, mas a Samsung conseguiu proteger as lentes com um material mais difícil de sujar. Na prática, o dedo raramente acerta à primeira no sensor, mas a lente nunca fica manchada.

A impressão digital, até há pouco tempo o parâmetro biométrico de excelência nos smartphones, parece caminhar para a extinção (o iPhone X pode vir a dar a machadada final). Optar por ter um ecrã de uma ponta à outra do aparelho retira espaço para um botão/sensor frontal, forçando (no bom sentido) o desenvolvimento de tecnologias tais como o reconhecimento do rosto e da íris.

No Note 8 ambas funcionam relativamente bem, mas são exigentes na posição em relação ao rosto (com inclinação a mais ou a menos o telemóvel não desbloqueia); ao contrário da leitura da íris, o reconhecimento facial parece pedir sempre alguma luz ambiente, algo que não conseguimos contornar. A tecnologia tem pernas para andar, mas precisa de ser aprimorada. Até lá, o leitor de impressões digitais continua a ser a opção que melhor junta segurança e rapidez. Pena estar tão mal colocado.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A caneta (S Pen) é outro fator distintivo da série. No Note 8, ganha sensibilidade e precisão, tornando a escrita digital em tudo semelhante à convencional.

Quem nunca mexeu num Note facilmente se esquece que existe ali, na parte de baixo do smartphone, uma caneta (a S Pen). À falta de melhor palavra, é necessário um certo “esforço” para nos lembrarmos dela, mas rapidamente lhe apanhamos o jeito e encontramos utilidade. Com a S Pen é mais fácil tomar notas, mais rapidamente e num maior número de páginas, as opções de desenho foram melhoradas (haja talento para isso), o modo seleção inteligente permite ativar a função de tradução automática (o processo requer algum treino) e criar e enviar mensagens animadas em formato GIF.

O assistente pessoal Bixby, apresentado com o Galaxy S8 continua sem falar português, mas mostrou-se esforçado em conhecer-nos a voz e os gostos, de modo a ser ativado por comandos de voz, por um lado, e lançar sugestões personalizadas, por outro — num modelo semelhante ao utilizado pela aplicação Google.

Os menus são intuitivos mas esta inteligência artificial ainda tem muito que evoluir: o modo de reconhecimento de objetos através da câmara, por exemplo, ainda é bastante ineficiente.

De entre os grandes fabricantes, o Samsung Galaxy Note 8 é o primeiro smartphone a quebrar a barreira dos mil euros na versão de entrada. Já está à venda em Portugal, nas versões Single SIM e Dual SIM.

Em relação ao preço, o Note 8 concorre na mesma liga que o iPhone X, que chegará em novembro. Vai ser interessante fazer a comparação técnica, mas já é possível perceber que a caneta do Note continuará a ser um dos grandes fatores distintivos. O outro, é o sistema operativo: iOS é uma coisa, Android é outra.

O Galaxy Note 8 corre a versão 7.1 do Android (Nougat), em cima da qual implementou aplicações próprias. A prática é comum e tem a sua razão de ser, uma vez que este tipo de smartphone tem características exclusivas que exigem apps dedicadas (a caneta é um bom exemplo), mas a Samsung continua a carregar o Android com modificações que nem sempre trazem uma mais valia — aquilo a que, na gíria, se chama de bloatware.

O Android “puro” está cada vez mais bonito e eficiente, tem atualizações de desempenho e segurança mais frequentes e disponíveis mais rapidamente, o que não acontece nas modificações do sistema operativo introduzidas pelos principais fabricantes, geralmente demasiado lentos neste processo.

Android e iOS estão cada vez mais eficazes a prender os utilizadores nos respetivos ecossistemas, mas também é cada vez mais fácil mudar de um para o outro. Complicar em vez de simplificar quase nunca é boa ideia, embora seja de assinalar o esforço da Samsung em produzir para o Note 8 um sistema com grande fluidez.

O Galaxy Note 8 é uma grande máquina, em tamanho, qualidade e número de funcionalidades. Dá nas vistas pelos melhores motivos e apresenta grandes argumentos contra o “rival” que há-de chegar em novembro: o iPhone X.

Talvez o público alvo de um e do outro não seja exatamente o mesmo — o Note está muito virado para a produtividade, o iPhone tornou-se um produto de afirmação e status — mas ambos marcam, cada um à sua maneira, o passo seguinte. Na qualidade e no preço: mil euros é quanto custa um computador portátil de boa qualidade, coisa que nenhum smartphone consegue ser.

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