O Governo dos EUA aconselhou os cidadãos norte-americanos a não visitarem Cuba, ao mesmo tempo que dá ordem de regresso a cerca de 60% do seu corpo diplomático naquele país. A notícia é avançada pela Associated Press, cujas fontes referem que esta decisão é tomada na consequência de “ataques específicos” contra funcionários da Embaixada dos EUA em Havana.

O caso remete para alegados ataques ultrassónicos — sons inaudíveis, em frequências muito baixas ou muito altas, que podem fazer vítimas sem que estas se apercebam no momento — que terão ocorrido entre o outono de 2016 e abril deste ano. As autoridades norte-americanas acreditam que é essa a causa por trás de problemas de saúde que atingiram 21 diplomatas dos EUA e também as suas famílias — o número tem vindo a subir, já que foram anunciadas 16 vítimas em agosto e 19 em setembro. Além destes, há também dois diplomatas canadianos com registo de lesões semelhantes. As mazelas incluem perda permanente de audição e danos cerebrais e provocam sintomas como dores de cabeça, perda de equilíbrio, náuseas e perda de memória.

Ataque sónico? Funcionários da embaixada americana em Cuba com sintomas misteriosos

A decisão deverá ser oficialmente anunciada esta sexta-feira, num comunicado do Departamento de Estado norte-americano, onde também vão ser desaconselhadas as viagens a Cuba. Segundo a Associated Press, não há registo de turistas norte-americanos afetados por este tipo de ataques.

A Associated Press refere que as autoridades norte-americanas ainda não sabem quem está por detrás dos dos ataques. Até agora, o Governo norte-americano tem usado o termo “incidentes”, mas o comunicado desta sexta-feira deverá incluir a expressão “ataques específicos”.

Cuba nega ataques e diz que respeita a Convenção de Viena

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, aproveitou o discurso que fez na Assembleia-Geral das Nações Unidas para negar as suspeitas de o regime de Raúl Castro estar por detrás dos alegados ataques. “Afirmamos categoricamente que o Governo cubano cumpre com todo o rigor e seriedade as suas obrigações com a Convenção de Viena para as Relações Diplomáticas no que diz respeito à proteção da integridade de todos os diplomatas sem exceção, incluindo os dos Estados Unidos”, disse. “Cuba jamais perpetrou ou perpetrará ações dessa natureza, nem permitiu nem permitirá que o seu território seja utilizado por terceiros com esse propósito.”

Ao reduzir em mais de metade o corpo diplomático da embaixada dos EUA em Cuba, a administração de Donald Trump dá o passo mais efetivo naquilo que, até ao momento, tem sido sobretudo uma postura de desafio ao regime de Raúl Castro. Além disso, será também um recuo depois da aproximação consumada pela visita de Barack Obama a Cuba, em março de 2016.

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