Os incêndios na Califórnia destruíram grande parte de um arquivo dos pioneiros tecnológicos William Hewlett e David Packard, tal como uma nota, com décadas, em que Hewlett propõe conceber uma calculadora capaz de caber no bolso.

De acordo com o jornal Santa Rosa Press Democrat, as mais de 100 caixas de cartas e de outros materiais dos primórdios da empresa Hewlett-Packard, atualmente designada de HP, estavam armazenados em dois prédios nos escritórios em Santa Rosa da Keysight Technologies, uma empresa que adquiriu a histórica coleção.

As duas construções modulares arderam nos incêndios que devastaram, este mês, a Califórnia, fazendo 43 mortos e destruindo mais de 7 mil habitações e outras infraestruturas. O resto do campus da Keysight, incluindo os prédios permanentes, sobreviveram com danos mínimos, disse o diretor-executivo da empresa, Ron Nersesian, ao mesmo jornal.

Packard e Hewlett foram os pioneiros da indústria tecnológica da Califórnia quando começaram uma firma eletrónica numa garagem em Palo Alto com 538 dólares.

Os arquivos destruídos tinham sido avaliados em quase dois milhões de dólares em 2005. A antiga funcionária arquivista da HP Karen Lewis qualificou a coleção de insubstituível, por ser “a história de Silicon Valley”, “a história da indústria eletrónica”.

Lewis, que começou a juntar os materiais na década de 1980, afirmou que os documentos destruídos incluem uma nota de Hewlett para os engenheiros que levaria à criação da calculadora de bolso HP-35 em 1972. Outro documento propunha um piso open-office, hoje um elemento básico das empresas de Silicon Valley, escreveu o jornal San Francisco Chronicle.

Lewis criticou o recente manuseio dos arquivos, afirmando que os anteriores donos guardaram as coleções em cofres em instalações definitivas, salvaguardadas de incêndios por espuma retardante.

“Isto podia ter sido facilmente evitado, e é uma enorme perda”, sublinhou Lewis, citada pela agência de notícias Associated Press.

Jeff Weber, porta-voz da Keysight Technologies, afirmou que a empresa tomou “passos adequados e responsáveis” para proteger os arquivos, apontando que “os mais destrutivos fogos da história do estado [da Califónia] impediram os esforços para proteger partes da coleção”.

“É hora de começar a sarar, não de atribuir culpas”, frisou.

Dana Lengkeek, porta-voz da HP, disse ao San Francisco Chronicle que outros materiais do arquivo, incluindo discursos e cartas dos fundadores da empresa, encontram-se noutro lugar.