Jorge Jesus voltou a ser Jorge Jesus. Aquele Jorge Jesus à antiga, confiante, orgulhoso pela vitória no Bessa e pela liderança na Liga. Mas, em paralelo, um Jorge Jesus agastado com as críticas após a derrota em Barcelona. E quando assim é, o decano treinador português não consegue escondê-lo… com algum humor à mistura.

“As coisas tornaram-se mais fáceis estando a ganhar 1-0 ao intervalo, porque o Boavista teria de ir à procura do resultado. Até lá, tirou cinco ou seis minutos de anti-jogo do guarda-redes mas também faz parte porque equipas com outras armas tentam travar assim o adversário, é tudo normal. Não é fácil ganhar aqui, é preciso ter qualidade defensiva e estar preparado para todos os momentos, para poder contrariar e entrar no jogo. Mas este jogo começou a ser ganho em Barcelona… Para aqueles atrasados mensais, os três melhores jogadores foram só Gelson [Martins], Bas [Dost] e Fábio Coentrão. Foi aí que começámos a ganhar o jogo porque estiveram dentro do que queríamos, sem fadiga muscular, levezinhos e foi assim que fizeram a diferença”, comentou na zona de entrevistas rápidas após o final do encontro no Bessa.

“Nós treinadores temos de ver as coisas de maneira diferente, para os adeptos do futebol é que se não joga o A, joga o B mas não entendem o resto, é por isso que somos treinadores. Foi aí, nas minhas decisões em Barcelona, que começámos a ganhar este jogo”, acrescentou.

Curiosamente, na conferência de imprensa, Jesus voltou a falar no tema explicando que “não foi nenhuma calinada”: “Disse mesmo atrasado mensais, não é mentais, é mensais, aqueles que só dizem asneiras. E digo isso a propósito das minhas opções em Barcelona, que hoje estes três jogadores provaram que estava certo”.

Em paralelo, o treinador verde e branco falou também da importância das bolas paradas como fator decisor de um jogo, ao mesmo tempo que não partilhou da ideia de Fábio Coentrão que, também na flash interview, tinha falado do seu feeling num deslize do FC Porto em Setúbal, que manteria os leões como líderes isolados.

“É um momento de jogo como outro qualquer, como o contragolpe, o ataque posicional, a organização defensiva… A bola parada é mais um momento de jogo, por isso é que todos dizem que há cinco e eu digo que são seis, a bola parada é mais um. Aliás, quatro e o quinto é a bola parada, estava a enganar-me. O facto de termos bons batedores de bola e bons cabeceadores torna tudo mais fácil, com essa qualidade podemos ir à procura disso e assim somos a equipa com mais golos de bola parada, hoje fizemos mais dois. Mas o Boavista também está de parabéns, mostrou que é muito forte em casa. Parabéns também para os adeptos do Sporting porque para lutar pelo título também é preciso uma massa associativa assim, que tem vindo a recuperar o seu orgulho e estamos na luta”, disse.

“Não tenho esse feeling, o meu feeling era que ganhávamos o jogo hoje porque achava que a estratégia em Barcelona era perfeita para ganhar neste campo muito difícil”, concluiu.