O ano de 2017 de Chris Froome estava a ser brilhante: venceu a sua quarta Tour de France em julho, a primeira Vuelta em setembro e, nesse mesmo mês, foi medalha de bronze nos Mundiais de contrarrelógio. “Um final incrível para uma época inesquecível”, disse então. Contudo, o 2017 do ciclista pode vir a tornar-se inesquecível pelas piores razões: os resultados de um teste antidoping feitos a Froome durante a Vuelta podem retirar-lhe o título que venceu este ano e, consequentemente, manchar a carreira do mais bem sucedido ciclista de estrada britânico.

O medalhado olímpico, que se tornou no primeiro ciclista desde 1978 a vencer a Tour e a Vuelta no mesmo ano, acusou níveis de Salbutamol mais elevados do que é suposto, revela uma investigação conjunta do The Guardian e do Le Monde. O Salbutamol é usado para tratar a asma e pode ser encontrado em inaladores como o Ventilan. Froome, conhecido asmático, tinha valores duas vezes mais elevados do que o permitido pela WADA, a Agência Mundial Antidoping: mil nanogramas por mililitro.

Só agora se soube o resultado do teste feito durante a Volta a Espanha, do qual Froome foi notificado a 20 de setembro, pois o britânico trabalha para contestar o resultado com a ajuda de advogados e cientistas. Caso o ciclista da Team Sky não consiga justificar os valores elevados ou contestar o resultado de forma válida e suficiente à WADA, perderá o título da Vuelta, conforme mandam as regras da UCI, a União Ciclista Internacional.

Froome pode também enfrentar uma suspensão de cerca de um ano, falhando assim o próximo Giro d’Italia e a Tour de France. O ciclista, através de um comunicado da sua equipa, diz ser “bem conhecido que [tem] asma” e realça que sabe “exatamente quais são as regras”. “Uso um inalador para gerir os meus sintomas (sempre dentro dos limites permitidos) e sei com toda a certeza que vou ser testado todos os dias em que usar a camisola de líder da corrida”, admitiu Froome, acrescentando que na Vuelta a sua asma “ficou pior”, pelo que seguiu “o conselho do médico de equipa para aumentar a dosagem de Salbutamol”. O britânico diz ter tido o maior dos cuidados para, “como sempre”, garantir que a dosagem não era maior do que a permitida pela WADA.

“Levo a minha posição de liderança muito a sério. A UCI está absolutamente correta em examinar os resultados do teste e, em conjunto com a equipa, vou providenciar qualquer informação que requeiram”, disse Chris Froome.

No mesmo comunicado, a Team Sky explica que “há bastantes evidências que para mostrar que há variações significativas e imprevisíveis na maneira como o Salbutamol é metabolisado e excretado”. Por isso, dizem, “o uso de dosagens de Salbutamol pode por vezes resultar em concentrações urinárias elevadas, que requerem explicação”. Segundo a Sky, os fatores que podem afetar as concentrações são muitos, incluindo a “interação do Salbutamol com comida ou outras medicações, desidratação” ou quanto tempo antes do teste se tomou o medicamento.