A certificação energética das habitações portuguesas continua a ser feita de forma deficiente, com nove processos, em 16, a apresentarem falhas, num estudo elaborado pelo Deco Proteste, divulgado esta quinta-feira na revista Proteste de janeiro.

Seis anos após o seu último estudo sobre certificação energética de habitações, e com nova regulamentação em vigor, a Proteste voltou ao tema e das 16 habitações visitadas apenas quatro processos de certificação mereceram “uma boa apreciação global”.

Em 2011 tinham sido analisados 15 certificados e apenas três tinham tido nota positiva. Os técnicos da Deco Proteste encontraram falhas nas propostas de melhoria e nos procedimentos relativos à análise dos sistemas de climatização e de aquecimento da água.

O certificado energético é obrigatório em Portugal desde 2009 para edifícios novos e para os antigos que são postos à venda ou para arrendar.

O documento apresenta a classe de eficiência energética de um edifício ou de uma fração, é emitido por peritos qualificados reconhecidos pela Agência para a Energia (ADENE)e descreve e classifica o comportamento térmico de paredes, coberturas, pavimentos e janelas.

Segundo dados da Adene, citados pela Proteste, dos cerca de 135 mil edifícios certificados em 2016, mais de dois terços são de classe energética D ou inferior e um quinto de classe C.

Ou seja, apenas 10% pertence às classes mais eficientes, a partir de B-.

Para avaliar a qualidade do serviço prestado pelas entidades certificadoras, os investigadores da proteste analisaram 16 certificados emitidos para habitações dos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra e encontraram em nove deles “falhas importantes”, nomeadamente resultantes de erros de cálculo.

Encontraram falhas relativas à descrição da fração, aos equipamentos instalados, aos sistemas de climatização e de aquecimento de águas e às formas de energia utilizadas. Todos os certificados indicavam medidas para melhorar o desempenho energético da fração, mas desadequadas e incompletas.