O secretário-geral da central sindical CGTP, Arménio Carlos, defendeu esta noite a necessidade de “fazer retornar os CTT à esfera do setor empresarial do Estado”.

Na dia em que começou uma greve de dois dias dos trabalhadores dos CTT, e depois de a administração da empresa ter anunciado a redução de 800 postos de trabalho, Arménio Carlos esteve com os primeiros trabalhadores em greve nas instalações centrais do CTT em Lisboa, onde também estiveram o secretário-geral da central sindical UGT, Carlos Silva, e o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Aos jornalistas Arménio Carlos disse que o processo a ser desenvolvido pela administração dos CTT confirma que “a privatização dos CTT foi um erro monumental”, que foi benéfica para os acionistas mas “desastrosa para os trabalhadores e simultaneamente para a população”.

“Se este processo de privatização está errado então há tempo para o corrigir, fazendo retornar os CTT a esfera do setor empresarial do estado”, defendeu, lembrando o serviço público de caráter social que a empresa tem, porque através dela chegam por exemplo as pensões (por vales de correio) aos reformados, e que agora ficam “uma semana, duas e três” à espera de a receberem.

Arménio Carlos criticou também a autoridade reguladora, a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), que “não fez rigorosamente nada” em relação aos CTT, uma empresa que se tem “comportado mal”, e disse que a greve que se inicia esta quinta-feira pode “criar uma linha de alerta” no país para que “populações se juntem aos trabalhadores” na defesa da melhoria da qualidade do serviço e contra o encerramento de balcões dos CTT.

“E se isso for feito, como já foi feito anteriormente, estamos convencidos que podemos travar, e condicionar, esta estratégia da administração, que é desastrosa para os trabalhadores e para o país”, disse, reiterando que é preciso “por os CTT novamente na esfera do setor empresarial do Estado”.

Também questionado pelos jornalistas o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, disse que o Governo tem de olhar para o que se está a passar “com olhos de ver” mas acrescentou: “Temos consciência de que o país não consegue enfrentar uma recompra dos CTT por 500 ou 600 milhões, agora tem de ser o Governo a perceber o que é que pode fazer para por um lado garantir o bom serviço publico, e por outro lado preservar postos de trabalho, porque os trabalhadores não são carne para canhão”.

“Tenho consciência que Portugal pode não poder (comprar a empresa) mas preferia que os CTT voltassem à esfera pública”, acrescentou.

Também prestando solidariedade aos trabalhadores em greve, o responsável referiu-se assim ao anúncio de que 800 trabalhadores poderão ser afastados: “Quando sabemos que eventualmente o custo de mandar 800 trabalhadores embora pode custar sete ou oito milhões de euros, mas que alguns administradores ganham quatro ou cinco milhões em conjunto, é para olharmos para isto com a relatividade que isto merece, e perceber que esse tempo, da outra senhora, já passou”.

Também salientando a importância dos CTT para o país, nomeadamente quem vive no interior, Carlos Silva considerou fundamental garantir os postos de trabalho e a pressão dos trabalhadores.

Esta quinta-feira, na comissão de Trabalho da Assembleia da República, ouve os sindicatos do setor e administração dos CTT.

José Arsénio, secretário-geral do Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Telecomunicações e dos Media (SIndetelco, UGT), disse que vai estar presente na reunião e acusou a administração dos CTT de “passar ao lado do setor postal” por só estar interessada no banco postal.

Vítor Narciso, pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, que também estará presente na reunião no Parlamento, disse à Lusa que já saíram 140 trabalhadores dos CTT e afirmou também que a empresa já vendeu praticamente todos os edifícios.

O problema dos CTT “não está nas receitas mas sim nas despesas”, em assessorias e no banco postal, afirmou.