O ex-Presidente peruano, Alberto Fujimori, já reagiu ao indulto que lhe foi concedido este domingo pelo Presidente Pedro Pablo Kuczynski, agradecendo o gesto e comprometendo-se a lutar pela reconciliação. Na mensagem gravada diretamente da cama da unidade de cuidados intensivos, onde se encontra internado desde sábado, Fujimori pediu ainda “perdão” aos peruanos.

“Estou consciente de que parte dos resultados durante o meu governo foram bem recebidos. Mas reconheço, por outro lado, que desapontei também outros compatriotas. A esses peço perdão de todo o coração“. Foram estas as primeiras palavras do ex-Presidente Alberto Fujimori, que se revelou “surpreendido” e inundado por uma “mistura de sentimentos de extrema alegria e, ao mesmo tempo, de arrependimentos”.

“Não posso deixar de expressar a minha profunda gratidão pelo passo complexo que tomou o Presidente, que me compromete, nesta nova etapa que se abre na minha vida, a apoiar decididamente o seu apelo à reconciliação”, continuou Fujimori.

“Deste lugar me junto às esperanças de todos aqueles que lutam pela grandeza do país. Porque, para os peruanos, o Peru vem primeiro.”

"Mi profunda gratitud por el paso complejo que ha tomado el presidente me compromete a apoyar decididamente su llamado a la reconciliación"Alberto Fujimori FujimoriPresidente del Peru 1990-2000

Posted by Alberto Fujimori Fujimori – Oficial on Tuesday, December 26, 2017

Fujimori foi transferido da prisão para uma unidade de cuidados intensivos de uma clínica da capital, Lima, no sábado, devido a problemas de tensão e arritmia.

Alberto Fujimori presidiu ao Peru entre 1990 e 2000, foi detido em 2007 e em 2009 foi condenado a 25 anos de prisão, pelos crimes de corrupção e violação dos direitos humanos, depois de ter sido responsabilizado pelas mortes de 25 pessoas, entre 1991 e 1992, levadas a cabo pelo grupo militar Colina, e ainda pelo sequestro agravado de um jornalista e de um empresário em 1992.

No domingo, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, anunciou o perdão “por razões humanitárias” a Alberto Fujimori, depois de uma junta médica verificar que o ex-chefe de Estado peruano sofre de “uma doença progressiva, degenerativa e incurável” e que as condições que Fujimori tinha na prisão seriam um risco grave para a sua vida, saúde e integridade.

A decisão de Kuczynski foi anunciada três dias depois de o próprio ter escapado à destituição no Congresso, graças à abstenção do deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, e de outros nove deputados do partido Força Popular. A concessão de um indulto está assim a ser vista, por muitos, como moeda de troca a Kenji Fujimori e aos outros deputados.

A decisão gerou muita polémica. Centenas de peruanos saíram às ruas da capital peruana na noite de Natal para protestar. Entre os manifestantes estavam familiares dos mortos e desaparecidos do início da década de 90 que já anunciaram que vão recorrer a instâncias internacionais para anular o indulto e exigir que Fujimori, de 79 anos, cumpra a totalidade da pena a que foi condenado.