15km skiathlon feminino no esqui cross-country. Perdão? Nem todas as provas dos Jogos Olímpicos de Inverno são familiares aos adeptos portugueses de desporto, mas isso é uma boa forma de aprender mais qualquer coisa. Do que se fala em tudo? Dentro da competição existem várias medalhas para ser distribuídas no esqui cross-country, também conhecido como esqui de fundo. Depois, há duas técnicas de corrida que podem ser utilizadas nestas provas, feitas em terrenos planos, e o skiathlon mistura ambas com 7,5km de clássica e outros tantos livres.

Mais ou menos conhecido, a verdade é que a primeira medalha de ouro dos Jogos de 2018 surgiu desta prova e foi para Charlotte Kalla, que tinha sido prata na edição de Sochi em 2014. Foi a sexta medalha da sueca nos Jogos, terceira de ouro, menos de um ano depois de ter sido terceira classificada na prova nos Mundiais de Lathi. No entanto, é de outra escandinava que se fala: a norueguesa Marit Björgen, que se tornou a partir deste sábado a atleta com mais medalhas na história dos Jogos Olímpicos de Inverno (11).

Aos 37 anos, a Dama de Ferro, como também é conhecida (não confundir com a húngara Katinka Hosszu da natação, que tem a mesma alcunha), somou um total de dez medalhas em Jogos Olímpicos de Inverno (seis de ouro, três de prata e uma de bronze) ao longo de cinco participações desde 2002, além de ter conquistado ainda 22 pódios em Campeonatos do Mundo (14 no primeiro lugar). Em 2015, fez uma pausa na carreira para ser mãe (é casada com o também campeão olímpico norueguês Fred Börre Lundberg, no combinado nórdico) e havia a curiosidade de perceber se conseguiria voltar a reinar no competitivo mundo do esqui de fundo.

A resposta começou a ser dada no ano passado em Lathi, onde somou mais quatro ouros nos Mundiais. E continuou a ser dada em PyeongChang, onde esteve mesmo durante algum tempo na frente da prova que viria a coroar Kalla, que venceu os 15km skiathlon com o tempo de 40. 44.9, menos 7,8 segundos do que a norueguesa. A medalha de bronze ficou para a finlandesa Krista Parmakoski.

Acabei de ver quantas medalhas tenho no total… As coisas estão diferentes desde que fui mãe. Tudo é mais importante para mim, ser uma boa mãe e depois fazer um boa corrida. Estar lá e andar na luta pelas medalhas é algo que me deixa muito feliz. Segundo lugar? Nada desapontada, estou mesmo muito contente. A Charlotte [Kalla] é uma grande amiga e fico contente por ela, porque sinto que tem sido mais forte este ano”, comentou Björgen.

Marit Björgen (prata), Charlotte Kalla (ouro) e Krista Parmakoski (bronze): o primeiro pódio de 2018 (Clive Rose/Getty Images)

Até este sábado, a norueguesa partilhava com a russa Raisa Smetanina (quatro ouros, cinco pratas e um bronze entre 1976 e 1992) e a italiana Stefania Belmondo (dois ouros, três pratas e cinco bronzes entre 1992 e 2002) o recorde de dez medalhas nos Jogos de Inverno. Curiosamente, Marit Björgen nem ligava muito a desportos na adolescência e começou tarde na modalidade. Como se percebe, a tempo de fazer história no esqui de fundo.