Congresso do PSD

José Eduardo Martins já não vai intervir no Congresso. “Sempre se poupam 6 ou 7 minutos”

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José Eduardo Martins apercebeu-se, após questões do Observador, que estaria a violar os estatutos caso fosse intervir no Congresso. Já tinha discurso preparado. Foi tudo "lapso dos serviços".

ESTELA SILVA/LUSA

O antigo secretário de Estado do PSD, José Eduardo Martins, já não vai intervir no Congresso do PSD. Porque não pode. Um “lapso nos serviços” tinha dado a José Eduardo Martins essa oportunidade, mas, ao aperceber-se que estaria a violar os estatutos — após ser questionado pelo Observador — o antigo deputado contactou o secretário-geral, Matos Rosa, que lhe explicou que, de facto, assim não poderia ser um dos oradores no Congresso.

José Eduardo Martins tinha sido, no anterior Congresso, delegado eleito pela sua secção: Paredes de Coura. Mas, nas atuais diretas, não concorreu como delegado. Ao consultar a lista de delegados e participantes, o Observador constatou que José Eduardo Martins aparecia como “membro eleito pelo Conselho Nacional”. Ora, José Eduardo Martins não tinha sido eleito para esse órgão. Os estatutos permitem que seja participante — e, portanto, com direito a discursar — o “primeiro militante eleito à câmara municipal”. O que José Eduardo Martins também não foi: foi eleito primeiro militante à Assembleia Municipal.

Após verificar esta irregularidade, o Observador contactou o secretário-geral, Matos Rosa, na sexta-feira à noite sobre o assunto. Matos Rosa disse que José Eduardo Martins era “participante e não delegado”, mas que mesmo assim poderia discursar. O Observador insistiu que, pelos estatutos, também não poderia ser participante e o secretário-geral voltou a desvalorizar: “Eu não ando a ver um a um os 200 ou 300 participantes, isso foram os serviços que trataram”.

Este sábado, o Observador confrontou José Eduardo Martins com a irregularidade que seria discursar no Congresso. O antigo governante do PSD foi apanhado de surpresa:

A sua pergunta fez-me perguntar por isso à organização. Eu não sou delegado eleito e queria falar como sempre vi tantos fazer nos últimos anos. Enviei inscrição como observador ao secretário-geral Matos Rosa por correio. Pelos vistos houve um lapso dos serviços e observador não pode intervir”.

José Eduardo Martins encarou, ainda assim, com fair play o facto de já não poder discursar no Congresso: “Assim, olhe, sempre se poupam seis ou sete minutos do Congresso“. O antigo governante tem sido um desalinhado com as direções de Pedro Passos Coelho. Embora lhe seja conhecida a preferência por Rio (face a Santana), manteve-se afastado das diretas. Estava em Cabo Verde no dia das eleições diretas.

Nos cadernos de delegados e participantes é visível o lapso:

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