As autoridades sírias estabeleceram esta terça-feira um corredor para a retirada de civis de Ghouta oriental cumprindo as tréguas humanitárias de cinco horas, indica a televisão oficial de Damasco.

O canal de televisão estatal difundiu imagens do corredor junto ao campo de refugiados palestinianos de Al Wafidin, que separa as áreas controladas pelo Exército sírio e as fações da oposição e islamitas, em Ghouta oriental, nos arredores de Damasco.

Em Al Wafidin estão vários autocarros e ambulâncias prontas para transferirem os civis para o centro de acolhimento de Al Dueir, a dois quilómetros do campo de refugiados palestinianos. Mesmo assim, o jornalista da televisão oficial síria refere que “grupos terroristas” estão a disparar foguetes atingindo a zona de evacuação.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos regista-se “uma situação de calma” em Ghouta oriental desde as 09:00 (07:00 em Lisboa), a hora acordada para o início da trégua humanitária.

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou na segunda-feira as tréguas na região que tem sido alvo de ataques da artilharia de campanha de Damasco e dos bombardeamentos aéreos apoiados pela aviação da Rússia, país aliado do regime sírio.

“Por ordem do presidente russo e com o objetivo de evitar vitimas entre a população civil de Ghouta oriental, desde o dia 27 de fevereiro (…) vai cumprir-se uma pausa humanitária”, anunciou o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu.

A trégua que o ministro russo vinculou à resolução 2401, aprovada no sábado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, prolonga-se até às 14:00 (12:00 em Lisboa). A resolução da ONU, que a Rússia aceitou – depois de algumas alterações – determina que “todas as partes cessem as hostilidades” e que se comprometam a manter uma “pausa humanitária de, pelo menos 30 dias seguidos, em todo o território sírio”.

Desde o dia 18 de fevereiro que Ghouta oriental tem sido alvo de ataques da aviação de combate síria e russa e da artilharia de campanha governamental. A ação militar já fez 561 mortos, entre os quais 139 crianças e 83 mulheres, de acordo com os dados do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização não-governamental com sede de em Londres.