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A goleada que se explica com uma única e invulgar imagem (a crónica do Benfica-Marítimo)

Desde 1994 que ninguém conseguia um hat-trick na primeira parte (JVP, 6-3 em Alvalade). Até hoje: Jonas empurrou o Benfica para a goleada com o Marítimo (5-0) em mais um grande jogo de André Almeida.

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Jonas fez um golo fabuloso e ajoelhou-se perante André Almeida, que já é o jogador com mais assistências do Benfica

AFP/Getty Images

Jonas fez um golo fabuloso e ajoelhou-se perante André Almeida, que já é o jogador com mais assistências do Benfica

AFP/Getty Images

O dia por Lisboa estava tudo menos simpático. Umas vezes, chegou a ser desagradável. No limite, quando chuva e vento formavam dupla no ataque, foi tenebroso. Por isso, o estádio da Luz, que passou esta noite as 600 mil pessoas em jogos da Primeira Liga na presente temporada, estava ainda muito, muito despido quando as equipas entraram para os exercícios de aquecimento. Assim, dá tempo para uma vista de olhos nos jornais e nas televisões. Que, na BTV, passavam uma entrevista com uma cara agora mais velhinha mas conhecida: Elzo.

Internacional brasileiro, grande surpresa de Telê Santana no Campeonato do Mundo de 1986 no México (o Brasil foi eliminado nas grandes penalidades pela França), passou pelo Benfica entre 1987 e 1989 após brilhar no Internacional e no Atl. Mineiro. Ganhou um Campeonato, foi a uma final europeia (PSV, 1988), fez um total de 52 jogos, apontou apenas um golo e acabou por sair para o Palmeiras, onde esteve com pé e meio em 1985 (seria recusado por alegados problemas cardíacos, que nunca se confirmaram) e foi ainda considerado Bola de Prata da Placar, que distinguia os melhores jogadores do Campeonato Brasileiro. Uns anos mais tarde, à mesma revista, explicou o porquê de nunca ter sido expulso: “Sempre me antecipei aos adversários, por isso ficava com a bola”.

O antigo médio, que chegou a ser treinador mas fez sobretudo carreira como comentador, não esqueceu por razões distintas dois brasileiros que alinham hoje no Benfica: Luisão, que chegou a pegar ao colo (“Joguei com o pai dele e conheço bem a família”, contou), e Jonas, “que tem feito muitos golos”. E a conversa andou também à volta de uma possível chamada do avançado à seleção, uma ideia que começa a ganhar mais peso no Brasil e que o número 10 vai alimentando com a chuva de golos que continua a marcar em Portugal. Aliás, percebe-se até que foi preciso sair do Valencia e ganhar o seu espaço no Benfica para os brasileiros darem outro valor a Jonas. Como já tinha acontecido com Elzo, que calou os críticos mais no final da carreira. Como não deve acontecer com André Almeida.

Ficha de jogo

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Benfica-Marítimo, 5-0

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)

Benfica: Bruno Varela; André Almeida (Douglas, 78′), Rúben Dias, Jardel, Grimaldo; Fejsa (Samaris, 67′), Pizzi, Zivkovic; Rafa (Raúl Jiménez, 72′), Cervi e Jonas

Suplentes não utilizados: Svilar, Luisão, João Carvalho e Seferovic

Treinador: Rui Vitória

Marítimo: Charles; Bebeto, Zainadine (Diney, 73′), Pablo Santos, Fábio China (Jean Cléber, 81′); Fábio Pacheco, Gamboa, Correa; Ricardo Valente (Fabrício, 60′), Rúben Ferreira e Joel Tagueu

Suplentes não utilizados: Amir, Luís Martins, Ibson e Rodrigo Pinho

Treinador: Daniel Ramos

Golos: Jonas (16′, 34′ e 42′, g.p.), Grimaldo (22′) e Zivkovic (81′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Pablo (41′), Bebeto (54′), Pizzi (90′) e Fabrício (90+2′); cartão vermelho direto a Gamboa (56′)

O lateral, que já foi médio, que quando é preciso pode recuar para central e que se for preciso avança para uma ala é daqueles jogadores que muitas vezes acaba por ser penalizado pela polivalência. No caso em específico, passa mesmo ao lado de mais de 90% das análises. Ou porque Jonas marcou mais um cabaz de golos, ou porque Fejsa recuperou dezenas de bolas, ou porque Cervi fez mais um par de assistências, ou porque Zivkovic é cada vez mais aquele médio versão Krovinovic que o 4x3x3 dos encarnados necessita. Esta noite, frente a um Marítimo que caiu como um baralho de cartas após o primeiro sopro que sentiu (o golo inaugural), André Almeida fez duas assistências, foi ‘n’ vezes lá à frente desequilibrar e saiu, cansado, para dar uns minutos ao ex-Barcelona Douglas.

André Almeida não é aquele tipo de jogador que um olheiro estrangeiro chegue, veja, identifique e faça uma primeira abordagem. Ao mesmo tempo, e analisando uma temporada do início ao fim, André Almeida é aquele tipo de jogador que um olheiro estrangeiro admite que faz falta a qualquer equipa de qualquer Campeonato. André Almeida, por causa dos erros de casting do Benfica na procura de um sucessor de Nelson Semedo, tornou-se um indiscutível e passou para a primeira linha de opções. André Almeida, mesmo depois da segunda assistência para Jonas, preferiu ficar em segundo plano e recusou pousar o pé na coxa do brasileiro naquele festejo típico da bola em que alguém engraxa a bota do outro. Mas esse carácter altruísta, que numa imagem explica na perfeição o 5-0 dos campeões ao Marítimo, não apaga outros números: além de ser o jogador mais assistências das águias a par de Cervi, tem na Liga mais golos e assistências do que todos os laterais do Sporting. E esse número, podendo parecer apenas uma curiosidade, representa muito mais do que isso.

Pela quarta vez consecutiva, Rui Vitória apostou no mesmo onze. Mas, um pouco à semelhança do que tinha acontecido em Paços de Ferreira, o Benfica demorou a entrar no jogo. E os primeiros dois remates com algum perigo pertenceram até ao Marítimo, com Correa a obrigar Bruno Varela a uma intervenção mais complicada (4′) e Rúben Ferreira a disparar um livre direto muito perto do poste da baliza dos encarnados (11′).

Remates das águias, zero. No máximo, houve duas transições rápidas com Cervi a transportar a bola mas a jogada a perder clarividência no último terço. Até que surgiu o primeiro remate. E o primeiro golo: na sequência de uma jogada com Rafa na direita, André Almeida acreditou até ao fim, fez o carrinho para evitar o pontapé de baliza, conseguiu ainda cruzar atrasado para a área e Jonas, quem mais, inaugurou o marcador na primeira oportunidade. Pouco depois, nova chance e novo golo: triangulação simples entre Zivkovic e Grimaldo entre lateral e central a deixar o espanhol isolado para o 2-0 (a passividade dos defesas insulares também facilitou muito…).

Estava tudo fácil para o Benfica, tão fácil que até Fejsa, o jogador mais calculista entre os comandados de Rui Vitória, arriscou andar uns metros à frente do que é normal para experimentar a sua meia distância, travada à segunda por Charles. Mas há um jogador que não acha muita piada a facilidades e apontou um dos melhores golos desde que chegou à Luz: Jonas, num fantástico toque na área após cruzamento de André Almeida, fez a bola bater ainda na trave antes de entrar na baliza do guarda-redes brasileiro. Segundo bis seguido do avançado… que não ficaria por aqui: ainda antes do intervalo, num penálti cometido sobre Rafa, o número 10 fez o hat-trick. Um hat-trick com muita simbologia: o último jogador dos encarnados a marcar três golos na primeira parte num jogo do Campeonato tinha sido João Vieira Pinto no célebre clássico dos 6-3 em Alvalade que decidiu o título de 1994.

No segundo tempo, face à chuva intensa que foi continuando a cair em Lisboa, algumas zonas do terreno passaram a prender a bola. Mas não foi só pela água que a qualidade do futebol baixou a pique: o Benfica foi gerindo o jogo como quis, acelerando quando lhe apetecia e beneficiou ainda da expulsão de Gamboa, por entrada duríssima sobre Zivkovic ainda na zona do meio-campo. O Marítimo, que entretanto perdeu também o capitão Zainadine por lesão, só queria que o encontro terminasse para atenuar um resultado que podia tornar-se mais pesado.

Jonas ainda tentou o quarto golo mas a mira veio descalibrada do balneário, ao contrário de Zivkovic: a coroar uma das melhores exibições que teve desde que assumiu o lugar de Krovinovic no onze do Benfica, o sérvio aproveitou uma bola perdida após cruzamento da esquerda, puxou sem medo para o meio e disparou em arco com o pé direito para um grande golo que acabou por selar a goleada dos encarnados frente a um Marítimo que consegue causar dificuldades aos grandes no Caldeirão mas que se torna presa fácil quando joga no Continente. A melhor série da temporada com cinco vitórias consecutivas foi carimbada com um triunfo por 5-0.

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