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Os procuradores do Ministério Público (MP) que investigam o “caso EDP” voltaram a recorrer ao Tribunal da Relação para tentarem ultrapassar os obstáculos que consideram que o juiz de instrução criminal, Ivo Rosa, está a colocar à investigação. De acordo com o jornal Público, que avança a notícia, em causa está um pedido de novembro em que os magistrados pediram que fosse realizada na investigação ao BES uma “pesquisa informática no sistema NUIX atinente aos arguidos/suspeitos”, bem como à “Universidade de Columbia”, devido ao patrocínio de 1,2 milhões da EDP àquela instituição, que terá sido uma moeda de troca para que Manuel Pinho começasse a dar aulas nos Estados Unidos em 2010.

Entre os arguidos do processo estão o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, o presidente do Conselho de Administração da EDP, António Mexia, e o presidente da EDP Renováveis, Manso Neto. A defesa dos dois administradores da energética pediu a nulidade deste pedido à luz da lei do cibercrime, alegando que os procuradores queriam aceder a emails privados sem um ordem judicial. O juiz Ivo Rosa deu razão aos arguidos, mas os dois procuradores do caso (Carlos Casimiro Nunes e Hugo Neto) recorreram para a Relação.

Os procuradores estão em guerra aberta com o juiz de instrução criminal e já pediram o afastamento do juiz Ivo Rosa que já recusou diligências como a realização de buscas à casa do ex-ministro Manuel Pinho, o levantamento do sigilo bancário e fiscal de de Manso Neto e Mexia e ainda que o acesso a centenas de emails apreendidos a estes gestores.

Em dezembro, a revista Visão revelou um dos emails que será a prova de que Manuel Pinho se tornou professor em Columbia a troco de um patrocínio. Pinho tinha-se demitido meio ano antes de ministro da Economia (na sequência dos “corninhos” que fez no Parlamento”), quando Mexia recebeu o email do reitor da Universidade de Columbia. No email, de 2 de dezembro de 2009, o reitor lembrava uma reunião com a EDP a 20 de novembro em Nova Iorque e comprometia-se a pagar o salário de um professor convidado para dar aulas durante um semestre sobre “energia e ambiente”, caso a EDP fizesse um primeiro pagamento de 300 mil dólares até ao final do ano de 2009. O professor era Manuel Pinho, como, aliás, o reitor referia no email.

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António Mexia e Manso Neto estão indiciados por corrupção, num esquema em que alegadamente também estará envolvido Manuel Pinho.

Caso EDP. Manuel Pinho constituído arguido