Elétricos

Genebra. Hyundai aperta com a Tesla (e Elon Musk)

O salão não viveu apenas de novos automóveis. Viveu também de 'velhas' guerras, entre os construtores tradicionais e a Tesla. O último ataque veio da Hyundai, que exibiu um 'placard' a desafiar Musk.

Ainda antes de ficarem surpreendidos com os novos veículos expostos no salão suíço, os visitantes ficaram estupefactos com o clima de ‘guerra’ que parecia viver-se em Genebra, junto à Palexpo – os pavilhões nas imediações do aeroporto da cidade que acolhem este tipo de certames. Em causa, dois enormes placards, onde a Hyundai colocava a foto do novo Kona Electric (estávamos na Suíça e, ali, o modelo que os portugueses conhecem como Kauai é proposto como Kona) e nem perdia tempo, ou espaço, a referir o automóvel que visava promover. Fazia, isso sim, questão de desafiar Elon Musk e a Tesla. Em cima, no canto superior esquerdo, podia ler-se “Your turn, Elon”, para em baixo surgir “The first electric compact SUV is here”.

É claro que toda esta batalha é meramente virtual, pois (goste-se ou não) a Tesla é a referência em matéria de veículos eléctricos, contra os quais os restantes construtores se comparam, pelo que é normal que a Hyundai, com a introdução no mercado do Kona Electric, tenha querido realçar que o seu era o primeiro SUV compacto do mercado movido a electricidade, simultaneamente a desafiar Musk a produzir um modelo concorrente.

Desafios à parte, esta posição da Hyundai, se bem que divertida – a indústria automóvel movimenta milhões, mas não há nada que impeça umas brincadeiras ou a troca de galhardetes entre rivais – é um pouco inconsequente. Pelo menos, a curto prazo. Isto porque SUV compactos é algo que a Tesla dificilmente fará nos próximos tempos. Quando conseguir resolver as dificuldades com o Model 3, que ainda não está a ser produzido ao ritmo a que deveria, a marca americana concentrar-se-á no Model Y, a versão SUV do 3, ao mesmo tempo que se dedica igualmente ao Semi e ao Roadster.

Sucede que o Y será um veículo com mais de 4,6 metros de comprimento, o mesmo do Model 3, o que o coloca ao nível de um Hyundai Santa Fe e nunca de um SUV do segmento B (com cerca de 4,1 metros de comprimento, tipo Renault Captur ou Peugeot 2008). Estamos pois a falar de produtos diferentes, de tamanho e preço, já para não falar que a imagem de ambos os fabricantes – e o tipo de público-alvo – não é exactamente a mesma.

Contudo, nada disto retira mérito ao Kona Electric, que surge como uma excelente proposta para veículos com esta bitola movidos a electricidade e que, se ainda não tem rivais, eles não tardarão. Só que dificilmente com emblema da Tesla.

Hyundai depois de Audi, BMW e Nissan

Os sul-coreanos da Hyundai estiveram longe de ser os primeiros a dar “bicadas” à Tesla, através da publicidade que fazem aos seus veículos. Também a Audi se atirou à marca americana, em meados de 2017, e escolheu igualmente os painéis publicitários como meio de fazer passar a mensagem. Na altura, a pretexto de divulgar o protótipo e-tron, um dos veículos eléctricos que promete construir em breve, a marca alemã escreveu “Musk-Have”. A alusão óbvia a Elon Musk visava apontar ao Audi e-tron como um veículo que era necessário possuir.

Também a BMW não resistiu a apelar aos clientes da Tesla, mas assumiu uma postura vincadamente mais comercial. Numa altura em que se sabe que há cerca de 500.000 clientes à espera de receber o seu Model 3, que encomendaram a pagaram um sinal, a BMW colocou no ar um anúncio ao 330e, em forma de vídeo, em que essencialmente dizia: “porquê esperar se pode comprar o nosso BMW híbrido já hoje”. O facto de o 330e ser substancialmente mais caro do que o Model 3, de dimensões similares, e possuir uma autonomia em modo eléctrico mínima, não parece ter interessado minimamente ao construtor alemão na produção deste anúncio.

Até a Nissan, fabricante do Leaf, que continua a ser o carro eléctrico mais vendido no mundo, fez questão de visar a Tesla num dos seus comerciais. Em 2016, quando os clientes começavam a realizar, em grande número, depósitos de 1.000$ para terem o direito de serem uns dos primeiros a receber o Model 3, a marca nipónica apareceu com um anúncio em alguns dos principais jornais americanos (New York Times, Wall Street Journal, Los Angeles Times e USA Today), em que afirmava que “não devia ser necessário reservar para ter um automóvel eléctrico hoje”, numa referência ao Leaf, e “porquê depositar 1.000$ num stand, se pode ter um desconto de 4.000$ e adquirir o melhor carro da classe?”

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