As últimas vitórias do Sporting podiam ser descritas como aqueles resultados arrancados “a ferros”. Contra o Rio Ave, o triunfo foi conseguido apesar dos ferros. Expliquemos: apesar do 2-0 final, os jogadores leoninos tiveram a pontaria de tal forma afinada que acertaram o dobro das vezes nos postes e na trave do que na baliza de Cássio. E nesta noite em específico pensamos: como seria com Fernando Peyroteo em campo?

Peyroteo, o goleador que desafiava o impossível e só falhou o curso de medicina veterinária

No primeiro encontro em Alvalade após a data que marcaria o centenário do goleador que fez parte dos famosos Cinco Violinos e que conseguiu terminar a carreira com a média de 1.6 golos por jogo (algo que mais ninguém algum dia repetiu), o Sporting montou uma grande operação de marketing para promoção da figura que será esta segunda-feira homenageada também na gala das Quinas de Ouro da Federação Portuguesa de Futebol.

Houve um pouco de tudo: letras gigantes no relvado que diziam “Peyroteo, uma máquina goleadora”; o pontapé de saída dado pelo seu filho, também Fernando; um manifestação especial com toda a gente de pé de cachecol no ar quando se atingiu o nono minuto de jogo (a camisola que costumava usar em campo). E tudo isto juntou-se a emissões especiais na Sporting TV, uma página especial no site do clube e muitos outros gestos de homenagem. E um que, não sendo do conhecimento público, acabou por ser tão ou mais marcante.

Olhando para o encontro diante dos vila-condenses, o que saltou mais à vista na exibição de Bas Dost foi até aquilo que fez extra remates à baliza. O quê? Dois exemplos: a forma como assistiu Gelson Martins no lance do primeiro golo ou os movimentos para as laterais (raros mas que aconteceram) que abriram os espaços explorados pela capacidade 1×1 do extremo e para a meia distância de Bruno Fernandes. No final, a sete minutos dos 90′, lá veio o golito da ordem. Um golo que entra também na história do Sporting.

Com o cabeceamento certeiro após cruzamento de Gelson Martins, o holandês apontou o 30.º golo da época em 39 jogos oficiais disputados entre Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, Champions e Liga Europa. Isto depois de ter feito 36 golos em 41 encontros na temporada de estreia em Portugal (se olharmos apenas para jogos a contar para a Primeira Liga, leva 57 golos em 54 partidas, numa média superior a um golo por encontro).

Desta forma, o internacional que poderá defrontar Portugal daqui a uma semana (pelo menos está entre o lote de convocados da Holanda) juntou-se a um lote muito restrito de jogadores do Sporting que conseguiram marcar 30 ou mais golos em épocas consecutivas: João Martins, que fez 35 em 1952/53 e 39 em 29153/54; Yazalde, que apontou 50 em 1973/74 (o que lhe valeu a Bota de Ouro) e 39 em 1974/75; e… Peyroteo, que marcou sempre pelo menos 37 golos em todas as temporadas em que representou os leões, entre 1937 e 1949.

Dost como Peyroteo, Yazalde ou Jardel